Fluxos de capital de emergentes perdem força

Publicado em 14/11/2017 por Jornal do Comércio - RS

Depois de terem despejado dinheiro em ações e bônus de mercados emergentes no segundo e no terceiro trimestres, os investidores parecem ter desligado o foco nessas praças por enquanto. Os fundos de capital de mercados emergentes compilados pela consultoria EPFR apresentaram entradas médias semanais de US$ 1,9 bilhão entre abril e setembro. No entanto, os influxos caíram abaixo de US$ 1 bilhão no começo de outubro e recuaram para zero nas três semanas até 8 de novembro, disse o EPFR.
A última semana de fundos de renda fixa dos mercados emergentes foi a pior para os fluxos desde meados de agosto, a última vez em que eles sofreram saídas líquidas. "Há muitos problemas entre os mercados emergentes", observou o estrategista-chefe de mercados da CMC Markets, Michael McCarthy.
Os fundos de ações indianos tiveram suas maiores entradas líquidas em três meses na última semana, disse o EPFR, enquanto os fundos sul-coreanos registraram saídas líquidas acima de US$ 600 milhões pela segunda vez em quatro semanas.
Os mercados emergentes se beneficiaram do apetite dos investidores devido a taxas de juros historicamente baixas em mercados desenvolvidos e de uma retração do dólar norte-americano depois que ele se recuperou no fim do ano passado. A recente desaceleração nas entradas ocorreu à medida que os investidores antecipam um aumento das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em dezembro.
Alguns analistas, no entanto, afirmam que a subida gradual nos juros pelo Fed não deve conter os fluxos de longo prazo em mercados emergentes, especialmente na Ásia, dada a força do crescimento econômico, em comparação com os Estados Unidos ou com a Europa.
Em outros lugares, surgiram novos fatores de risco do mercado emergente, inclusive na Venezuela, buscando reestruturar sua dívida; no Líbano, onde o primeiro-ministro renunciou; e na Arábia Saudita, onde dezenas de ministros, empresários e príncipes foram presos no que é chamado pelo governo saudita de repressão à corrupção.