FMI afirma que risco à estabilidade está com empresas não-financeiras

Publicado em 11/10/2017 por O Globo

Fachada do edifício-sede do Fundo Monetário Internacional (FMI), no centro de Washington. - José Meirelles Passos / Agência O Globo

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) informou na manhã desta quarta-feira, em sua reunião anual de Washington, que os riscos à estabilidade financeira global estão menores, graças à retomada de velocidade do crescimento da maior parte dos países, resultado das políticas monetárias e novas regulamentações. Assim os bancos, principalmente das nações mais ricas, estão em melhores condições que no passado. No entanto, a entidade alerta que os riscos se concentram, agora, em empresas não-financeiras, cada vez mais endividadas.

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"O endividamento entre as principais economias mundiais está crescendo. A alavancagem no setor não financeiro é hoje superior ao que era antes da crise financeira mundial no conjunto das economias do G-20 (grupos dos países com 20 maiores economias do mundo, do qual o Brasil faz parte). Embora isso tenha facilitado a retomada da economia, deixou o setor não-financeiro mais vulnerável a variações nas taxas de juros", afirmou o relatório sobre estabilidade financeira global apresentado nesta quarta-feira, intitulado "Está o crescimento sob risco?".

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O relatório indica que o risco desta elevada alavancagem já é sentida em países como Austrália, Canadá, China e Coreia do Sul. "O principal desafio com que se defrontam as autoridades é assegurar a contenção do acúmulo de vulnerabilidades financeiras enquanto a política monetária continuar a apoiar a retomada da economia mundial. Do contrário, o peso crescente das dívidas e os excessos na avaliação dos ativos poderiam minar a confiança dos mercados no futuro, com repercussões que poderiam pôr em risco o crescimento da economia mundial", afirma o documento, que cita que este aumento de dívida também foi sentido no Brasil, o que requer monitoramento para evitar "desequilíbrios".

O FMI estima que, a retomada da normalidade das políticas monetárias - muitos países do mundo, sobretudo os ricos, continuam com juros muito baixos, para ativar a economia depois da crise global de 2008 - será muito gradual, com uma inflação global que tende a permanecer relativamente baixa. "Um ritmo de normalização rápido demais removeria o apoio necessário à recuperação sustentada e aos aumentos desejados do núcleo da inflação nas principais economias", diz o documento.

A China, que evitou uma queda abrupta de seu crescimento econômico, incentivando outras economias, pode, com isso, estar ampliando seus riscos financeiros, de acordo com o FMI.

"O tamanho, a complexidade e o ritmo do crescimento do sistema financeiro chinês apontam para riscos elevados para a estabilidade financeira. Os ativos do setor bancário aumentaram de 240% do PIB no fim de 2012 para 310% do PIB. Ademais, o uso crescente da captação de recursos institucionais de curto prazo e do crédito paralelo (o chamado shadow credit) às empresas aumentou as vulnerabilidades dos bancos", diz o texto.

Tobias Adrian, Conselheiro Financeiro e Diretor dos Mercados Monetários e de Capitais do FMI, afirma que os bancos centrais têm que agir de forma harmoniosa e com boa comunicação prévia de seus movimentos para evitar choques, que os reguladores financeiros precisam estar atentos ao aumento da alavancagem das empresas e que muitos bancos importantes ainda lutam para ter uma rentabilidade sustentável.

- Os países de mercados emergentes precisam aproveitar as boas condições de financiamento para resolver desequilíbrios - disse ele em sua apresentação.

- Nossa mensagem chave é que não há tempo para complacência. É necessária uma ação agora porque as vulnerabilidades estão construindo. Isso poderia comprometer-se em risco no futuro.