FMI: recuperação da economia global ainda enfrenta riscos

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) advertiu que a recuperação da economia global não está completa e que há vulnerabilidades que devem ser observadas para evitar choques num futuro próximo. Segundo Tobias Adrian, diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do FMI, há um quadro de retomada do crescimento econômico e uma situação sólida na grande maioria dos bancos com repercussão sistêmica. Nos mercados emergentes, os fluxos de capital estão se recuperando, o custo do financiamento é baixo e as moedas e os preços das ações se apreciaram fortemente neste ano. A atividade global está recuperando bons níveis de crescimento. O FMI prevê crescimento de 3,6% para o PIB global neste ano, percentual superior aos 3,2% de expansão de 2016. Por outro lado, a recuperação não está completa. É necessária acomodação monetária para apoiar a atividade econômica e impulsionar a inflação nos países em que ela está em níveis muito baixos. Segundo Adrian, há cinco vulnerabilidades à economia global. A primeira é que os riscos de mercado estão subindo. O diretor advertiu que há muito dinheiro investido em ativos de baixa renda. Hoje, há menos de US$ 2 trilhões em títulos de grau de investimento com rendimentos superiores a 4%. Antes da crise financeira global, esse montante era de US$ 16 trilhões. "Os investidores institucionais estão sendo retirados de seus habitats naturais em busca de rendimentos", afirmou ele em texto preparatório para apresentação do relatório "Estabilidade Financeira Global", que foi divulgado na manhã dessa quarta-feira, em Washington. Outra vulnerabilidade é que os níveis de dívida aumentaram nos países do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo. A alavancagem no setor privado está mais alta agora do que antes da crise nesses países. O terceiro ponto é que os empréstimos externos em países emergentes e de baixa renda aumentou. Os fluxos de capital para os emergentes estão no caminho de chegar a US$ 300 bilhões, em 2017. É mais do que o dobro nos últimos anos. Na visão de Adrian, esses fluxos são positivos. Por outro lado, eles atraem vulnerabilidades, particularmente se os montantes não forem utilizados, o que é um risco nos países de baixa renda. O quarto item é referente ao ritmo de expansão de crédito na China, particularmente no sistema bancário paralelo, conhecido como "shadow banking". Adrian alertou que essa expansão aumenta os riscos à estabilidade financeira, pois essas instituições não seguem as mesmas regras e a mesma supervisão dos bancos oficiais. Por fim, o diretor apontou que com a baixa volatilidade entre as classes de ativos, o mercado parece adotar um comportamento complacente com choques potenciais. Nesse campo, Adrian acrescentou a possibilidade de riscos geopolíticos, repiques de alta de inflação e uma reviravolta nas taxas de juros de longo prazo. "Essas vulnerabilidades podem fazer descarrilhar a recuperação, colocando o crescimento em risco", alertou. Para evitar os riscos, o FMI sugere a continuidade do ritmo suave de normalização monetária nos principais bancos centrais do mundo. Os reguladores financeiros devem implementar políticas macroprudenciais e até estender as ferramentas para tanto. Os bancos devem procurar adaptar os seus modelos de negócios a esse ambiente, principalmente a fatia de um terço das instituições financeiras com repercussão sistêmica que se encontra em situação de fragilidade e administra US$ 17 trilhões em ativos. Já os países emergentes precisam tomar vantagem da situação financeira favorável e resolver os seus desequilíbrios, reduzindo a alavancagem do setor privado onde ela estiver alta e gerenciando a exposição de suas dívidas. Com relação à China, o FMI pede que as autoridades daquele país adotem medidas para a economia ficar menos dependente do rápido crescimento do crédito. "A nossa mensagem chave é que não estamos num tempo de complacência. Temos que atuar agora porque as vulnerabilidades são crescentes. Elas podem colocar o crescimento em risco no futuro", concluiu Adrian. O FMI e o Banco Mundial realizam, nessa semana, a sua reunião anual, em Washington. 10/10/2017 22:56:20