Foi bom começar 2018 com inflação abaixo da meta, diz presidente do Banco Central

Publicado em 12/03/2018 por O Globo

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em palestra em São Paulo. Foto: Nacho Doce/Reuters

SÃO PAULO - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta segunda-feira que foi bom começar este ano com a inflação abaixo da meta, e não o contrário, porque a política monetária teria de reagir. Ilan disse também que a economia brasileira ainda está em processo de recuperação, apesar de ter repetido que de maneira consistente, e chamou como "cenário do bem" o que a inflação caminha em direção à meta, dizendo que pode segurar a inflação mais baixa por mais tempo.

- É bom começar o ano de 2018 com a inflação abaixo da meta, e não acima da meta, pois esse seria o mais fácil de lidar. A inflação estar pressionada ao limite superior implicaria você ter que reagir com mais ênfase se não tivesse esse espaço na política monetária - afirmou ele durante evento em São Paulo.

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- Agora, tem um risco do lado do bem. A inflação está em torno de 3 por cento, pode ser que a inércia que sempre nos empurra a manter a inflação alta talvez nos empurre a ter inflação baixa por mais tempo - acrescentou ele.

Na semana passada, Ilan mudou o tom sobre o cenário inflacionário, afirmando que as altas de preços estavam vindo mais fracas do que o esperado, surpreendendo o próprio BC. Foi a senha para os mercados ajustarem suas apostas de que haverá outro corte da Selic neste mês, de 0,25 ponto percentual, o que a levará para a nova mínima histórica de 6,50%.

No início de fevereiro, o BC reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto, para a mínima recorde de 6,75% ao ano, e sinalizou o fim do ciclo devido à recuperação mais consistente da atividade econômica no país.

A ata do encontro, no entanto, informou que os membros do Copom divergiram sobre qual comunicação deveria ser adotada para a próxima reunião. Enquanto alguns manifestaram preferência por manter "elevado grau de liberdade", outros defenderam sinalizar do modo mais claro possível o fim do ciclo de afrouxamento da Selic, com liberdade de ação mantida, mas em menor grau.

A conclusão de todos, no fim, foi por indicar o encerramento do ciclo "caso a conjuntura evolua conforme o cenário básico", mas mantendo espaço para queda "moderada" adicional nos juros caso haja alteração nesse quadro.

No evento desta manhã, Ilan voltou a repetir que o cenário básico do BC tem inflação em direção às metas, com recuperação consistente da atividade, mas destacou riscos com a falta das reformas e reversão do cenário externo.

"O Brasil precisa continuar no caminho de ajustes e reformas para manter a inflação baixa, a queda das taxas de juros estruturais e a recuperação sustentável da economia", afirmou ele.

Sobre o cenário internacional, o presidente do BC repetiu que ele continua benigno, "mas não podemos contar com essa situação perpetuamente".