Fraude da Kobe afeta Boeing, Toyota e Nissan

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

Boeing, Toyota, Nissan e outras grandes empresas foram obrigadas a verificar a segurança de seus produtos depois da descoberta de que receberam remessas de aço e alumínio da Kobe Steel com certificações falsificadas, em um novo escândalo que vem crescendo de tamanho e que representa mais um golpe para a confiança nos controles de qualidade industrial no Japão. A terceira maior siderúrgica do Japão perdeu mais de 20% do valor na retomada dos negócios com suas ações na terça-feira, depois de a empresa ter admitido que falsificou dados sobre as inspeções de um volume estimado em 20 mil toneladas enviados a cerca de 200 clientes, durante um período de 12 meses até agosto de 2017. A siderúrgica vendeu produtos com resistência que não está em conformidade com o padrão de qualidade prometido aos clientes, que usaram os produtos na fabricação de carros e aeronaves. A empresa alertou no fim de semana que o período em que houve problemas pode chegar a dez anos. A fabricante de aviões Mitsubishi Regional Jet, da Mitsubishi Heavy, também usou remessas com dados falsificados Trata-se do caso mais recente em uma série de escândalos que colocaram em evidência preocupações generalizadas quanto aos controles de qualidade no Japão, desde os problemas em conjuntos de prédios feitos pelo braço de construção civil da Asahi Kasei até a adulteração dos dados de economia de combustível de veículos da Mitsubishi Motors. A notícia sobre a Kobe Steel chegou um dia depois de a montadora japonesa Nissan ter se visto obrigada a anunciar um programa para refazer as verificações em 1,2 milhão de veículos. A inspeção de fábrica havia sido feita por técnicos não autorizados. Entre as outras empresas afetadas pelo escândalo da Kobe Steel estão nomes como Mitsubishi Heavy Industries, Kawasaki Heavy Industries, IHI, Honda, Mazda e Subaru. A Kobe Steel informou não ter evidências de que qualquer risco de segurança tenha surgido como resultado da cerificação fraudulenta. Yasuji Komiyama, diretor do setor metalúrgico do Ministério de Economia do Japão, disse, no entanto, que o escândalo estava "ameaçando os negócios justos e apropriados" de outras empresas. Komiyama pediu à siderúrgica que faça verificações adicionais de segurança, investigue a raiz das falhas de certificação e que apresente propostas para evitar novos problemas. "Se houve problemas em comum com outros fabricantes, vamos pedir [ao setor industrial] para que retifique os problemas", acrescentou Komiyama. O governo japonês havia sido informado do problema em setembro. A fabricante de aviões Boeing informou que está realizando inspeções e análises abrangentes das remessas envolvidas desde que foi avisada sobre a falsificação de dados da Kobe Steel. "Nada em nossas análises até agora nos leva a concluir que esse problema represente um risco de segurança e vamos continuar a trabalhar diligentemente com nossos fornecedores para completar nossa investigação", informou a companhia americana. Vários outros usuários finais de produtos da Kobe Steel, como a montadora Toyota e o grupo ferroviário JR Tokai, que opera trens-bala, anunciaram que ainda investigam se há riscos no que se refere à qualidade das peças e materiais. A Toyota divulgou que os materiais em questão foram usados nas portas traseiras e capôs de carros fabricados no Japão. "Reconhecemos que esta infração dos princípios de conformidade por parte de um fornecedor é um problema grave", destacou a Toyota. Nissan, Mazda e Honda confirmaram ter usado alumínio produzido pela Kobe Steel e que agora estão investigando o assunto e realizando inspeções de segurança. A Mitsubishi Heavy, fabricante do foguete H-2A, que lançou um satélite na terça-feira, informou ter realizado suas próprias inspeções dos materiais vendidos pelo grupo siderúrgico antes do lançamento. A atribulada fabricante de aviões Mitsubishi Regional Jet, da Mitsubishi Heavy, também usou remessas com dados falsificados. A empresa comunicou que não houve problemas de segurança e que o cronograma de entregas do jato regional de passageiros continua como programado. As ações da Kobe Steel ficaram a maior parte da sessão suspensas na sessão de terça, em razão do excesso de ordens de venda, e acabaram fechando em baixa de 21,9%, cotadas a 1.068 ienes. Os papéis de produtores rivais de alumínio se valorizaram. A Daiki Aluminium fechou em alta de 4%, enquanto a Nippon Ligh Metal Holdings avançou 3,8% e a UACJ, 2,9%.