Fundos de participações têm maior captação desde 2014

Publicado em 10/07/2018 por Valor Online

Fundos de participações têm maior captação desde 2014

Apesar da dificuldade para convencer o investidor a apostar no Brasil neste momento, os fundos que compram participações acionárias em empresas - "private equity", na expressão em inglês - devem captar de US$ 3,5 bilhões a US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 14,3 bilhões) neste ano, maior montante desde os US$ 4,4 bilhões captados em 2014. O recorde ocorreu em 2011, com US$ 7,3 bilhões.

O aumento das captações mostra que os investidores, mesmo diante da incerteza do cenário político-eleitoral, ainda acreditam na capacidade de recuperação da economia brasileira. A previsão de US$ 3,7 bilhões considera apenas fundos brasileiros que levantam recursos aqui e no exterior e os que estão mais adiantados no processo de captação, devendo anunciar a conclusão da rodada nos próximos meses, após quase um ano de trabalho.

Entre as principais gestoras estão Pátria, Bozano, Stratus, Vinci e Kinea, do banco Itaú. O destaque é a Pátria, que sozinha levantará cerca de US$ 2,3 bilhões. Destoando da volatilidade do mercado e do receio com as eleições, a gestora não teve dificuldade em convencer investidores. Em janeiro, comunicou o primeiro fechamento de fundo, de US$ 484 milhões, aportados por mais de 50 grandes investidores, entre fundos soberanos e de pensão estrangeiros. É o sexto fundo da gestora, que tem como sócia a gigante Blackstone, responsável pela gestão de US$ 450 bilhões nos Estados Unidos.

"O Pátria mudou de patamar. Hoje está no mesmo nível de relacionamento com investidores estrangeiros que gestoras globais no Brasil, como Carlyle e Warburg Pimcus", diz o executivo de uma gestora concorrente. "Além desse canal no mercado americano, tem acesso a [investidores] institucionais em países árabes", revela outra fonte do mercado. Para a Kinea, o mercado americano é um desafio, porque nos EUA há restrições a casas ligadas a instituições financeiras.