Futuro ministro quer BB em mãos privadas

Publicado em 08/11/2018 por Valor Online

Futuro ministro quer BB em mãos privadas

O futuro superministro da Economia, Paulo Guedes, deixou transparecer ontem seu viés privatizante para o Banco do Brasil, embora o presidente eleito Jair Bolsonaro já tenha colocado o banco federal na lista de estatais que não tem intenção de privatizar.

No início da tarde de ontem, o site "Poder 360" informou que uma das ideias de Guedes seria propor uma associação do BB com o maior banco americano, o Bank of America. A informação foi replicada mais tarde por outro site, "O Antagonista". Em uma nova nota, o segundo site informou que Guedes entrara em contato para esclarecer que uma eventual fusão do BB com o BofA era apenas uma "ideia para o futuro" e que não há "nada na mesa". Segundo Guedes, o comentário havia sido feito em caráter pessoal com Alexandre Bettamio, de quem é amigo. O brasileiro Bettamio é o chefe do BofA para a América Latina e mora em Nova York.

Segundo o Valor apurou, a conversa entre os dois versou sobre temas variados, como a reforma da Previdência e, no meio dela, Guedes teria comentado de forma genérica que seria muito bom se, no futuro, um banco estrangeiro como o BofA pudesse vir para o Brasil para se juntar ao BB. A troca de ideias sobre o assunto não teria ido além desse comentário. Na sede do Bank of America, as notícias sobre uma eventual fusão com o Banco do Brasil causaram enorme surpresa.

Há uma avaliação na instituição americana de que uma fusão com um banco público como o BB seria inviável, dadas as diferenças culturais e operacionais. Quanto a aquisições de controle, bancos americanos têm sido muito restritivos, por causa das grandes exigências de capital impostas pela regulação bancária.

Além disso, o banco americano acredita que o varejo bancário do futuro é digital, o que tornaria mínimas as chances de haver interesse em empenhar capital para compra do BB.

Independentemente da viabilidade de uma transação com o BofA, o episódio deixa claro que o futuro ministro gostaria de ver o BB em mãos estrangeiras, para, entre outras coisas, aumentar a competição no concentrado mercado bancário brasileiro.

Guedes aproximou-se de Alexandre Bettamio por ter sido seu cliente por muitos anos. O executivo do BofA tem colaborado com ideias para o programa de governo de Bolsonaro e chegou a ser convidado por Guedes para presidir o BB, mas declinou, alegando razões pessoais. Hoje o BofA já tem uma operação relevante de banco de atacado no país, mas não atua no varejo, o forte do BB.