Giro de criptomoeda cresce e atrai atenção de corretora de bolsa

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

Embora ainda reduzido para o padrão internacional, o volume de compra e venda de bitcoins - a mais líquida das moedas virtuais - no Brasil tem mostrado crescimento suficientemente grande para remunerar corretoras que atuam nesse mercado e para atrair interesse de potenciais concorrentes, inclusive de empresas tradicionais do mercado de capitais. XP e Ativa, duas corretoras de valores mobiliários com foco em pessoas físicas, já registraram marcas que as associam ao termo "bitcoin". Os intermediários ganham com o giro dos negócios, sem ficar expostos diretamente ao movimento altamente especulativo dos preços das moedas virtuais. LEIA MAIS Moeda digital ainda gera muitas dúvidas Criptomoeda atrai perfil especulador A bolha mais dramática de todos os tempos? As quase 1,3 mil criptomoedas em circulação no mundo tinham ontem valor de mercado de US$ 203 bilhões e movimentaram US$ 16,5 bilhões em negócios em 24 horas, segundo o site CoinMarketCap. Desse total, pouco menos de 85% da capitalização e do giro se concentram em cinco delas: bitcoin, ethereum, bitcoin cash, ripple e litecoin. No Brasil, os negócios intermediados pelas principais corretoras - os agentes desse mercado as chamam de "exchange", de bolsa em inglês - já somam R$ 3,2 bilhões no ano, conforme o site especializado bitValor (sem relação com o jornal Valor). Em 2016 todo o giro foi de R$ 363 milhões. O volume ainda é bastante baixo quando comparado aos R$ 6 bilhões negociados apenas em ações na B3 em um único dia. Mas muitos consideram o segmento promissor para os intermediários, ainda mais porque o volume tem crescido a despeito de esse mercado não ser regulado e, ao menos por enquanto, estar restrito a pessoas físicas. Considerando as taxas cobradas por negociação divulgadas pelas corretoras, numa média de 0,8% no total das duas pontas, é possível calcular uma receita de mais de R$ 26 milhões para as empresas este ano até agosto. O valor não considera corretagem sobre depósito ou resgate em reais, que chega a 2% em algumas exchanges. As corretoras FoxBit, MercadoBitcoin e Bitcointoyou concentram mais de 90% dos negócios compilados pelo bitValor no Brasil no ano, mas é importante destacar que o levantamento não abarca a íntegra do mercado, mas apenas os dados das empresas que divulgam publicamente os negócios. Além disso, não há auditoria sobre os números. Em um crescimento atribuído à exposição da moeda criptografada na mídia, à regulamentação do bitcoin no Japão e também à menção em relatórios de empresas como Empiricus e o site Investeaê, as corretoras dizem ter verificado forte aumento da procura pelas moedas virtuais em 2017. Ao Valor, a MercadoBitcoin disse que o número de cadastros subiu de 200 mil no fim do ano para 550 mil em outubro, dos quais 150 mil têm custódia aberta. Já a FoxBit informou que os cadastros passaram de 60 mil para 160 mil no mesmo período. A Bitcointoyou diz em seu site ter mais de 200 mil clientes. Do mercado tradicional, a XP também pretende oferecer negociação de moedas virtuais para sua base de quase 300 mil clientes, conforme apurou o Valor. O que se sabe oficialmente é que ela registrou no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), em setembro, as marcas "XP Bitcoin" e "XP Coin Exchange", e contratou duas pessoas para estudar o mercado: um ex-sócio da FoxBit, João Paulo Oliveira, e Fernando Ulrich. A corretora Ativa também já registrou a marca "Ativa Bitcoin" no INPI. No caminho inverso, que reforça a troca de experiências entre mercado tradicional e o das moedas virtuais, Roberto Lee, ex-Clear, virou conselheiro da FoxBit. Questionada, a XP disse por e-mail que tem um "analista de blockchain e criptomoedas que está fazendo esses estudos e informações sobre esse mercado". Mas afirmou que "o projeto somente seguirá adiante se entendermos que faz sentido após essas análises". Também por escrito, a Ativa respondeu que o produto "ainda está em fase de desenvolvimento e alinhamento interno". Rodrigo Batista, presidente e sócio da MercadoBitcoin, diz que os agentes do mercado olham o segmento com curiosidade, mas com certo temor, pela falta de regulamentação. Com ou sem a participação de corretoras tradicionais, Batista diz não ter dúvida de que a fragmentação dos negócios em diferentes plataformas não deve durar. "Tenho certeza de que esse mercado vai se consolidar." Guto Schiavon, sócio e diretor de operações da FoxBit, disse que "sempre foi ideia" da empresa "se unir a outras corretoras para ter liquidez maior", e citou a fusão com a Bitinvest no passado. Mas diz que o mercado ainda é imaturo.