Governo do RS decide adiar oferta de ações do Banrisul

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

O governo do Rio Grande do Sul decidiu adiar a oferta subsequente de ações do Banrisul, conforme comunicado do Estado divulgado ontem. A expectativa era que a transação acontecesse na próxima semana. O governo alega que a decisão se deve às "condições desfavoráveis de mercado". O governo gaúcho pretendia vender as ações excedentes ao controle do banco, com o objetivo de levantar recursos para aliviar a situação financeira do Estado. O governo estadual tem hoje 99,58% das ações ordinárias, 77,44% das preferenciais classe "A" e 13,02% das preferenciais classe "B". "O governo segue buscando alternativas para o equilíbrio financeiro do Estado", diz o governo. "A decisão final sobre a realização da oferta dependerá de novas avaliações técnicas." A questão que se coloca é se o Estado pode partir para a privatização do banco. Documentos entregues pelo Rio Grande do Sul ao Tesouro Nacional com pedido de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal previa a venda das estatais CEE, Sulgás e CRM, mas não do banco. Mas esse plano passa por ajuste depois de ter sido rejeitado. No dia 4 de outubro, quando o Banrisul anunciou a realização da oferta, as ações preferenciais do banco (PNB) caíram 10,87% e encerraram o pregão cotadas a R$ 15,50. Ontem valiam R$ 14,95 ao fim do dia, estáveis. Isso significa que o preço em bolsa do papel está abaixo do valor patrimonial, que ao fim do terceiro trimestre era de R$ 16,46. Na próxima semana, existe a expectativa de que três ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) terão seus preços fixados: BR Distribuidora, Neoenergia e Burger King Brasil. Juntas, essas transações devem movimentar R$ 9,5 bilhões, levando em conta o ponto médio da faixa indicativa de preço das ações. Enquanto o Burger King já conseguiu demanda suficiente para cobrir a quantidade de ações colocadas à venda, a Neoenergia ainda encontra resistência dos investidores. Um gestor de fundos questiona o preço atribuído à elétrica frente às empresas consideradas referências do setor, Equatorial e Energisa. Dona do maior de todos os IPOs atuais, a BR Distribuidora tem encontrado receptividade entre os investidores, mas está longe de estar garantida devido ao tamanho que tem. Pelo preço médio da faixa indicativa de venda dos papéis, que é de R$ 17, a oferta pode movimentar R$ 4,95 bilhões. Além das estreias, também está prevista a oferta subsequente da Sanepar, companhia de saneamento do Paraná.