Guedes estuda alternativas para o BC

Publicado em 08/11/2018 por Valor Online

Guedes estuda alternativas para o BC

Ilan Goldfajn ainda não deu resposta ao convite do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, para que permaneça na presidência do Banco Central no novo governo.

As conversas entre ambos prosseguem mas, ao que tudo indica, Ilan estaria alegando problemas de ordem pessoal para continuar no cargo. Simultaneamente a essas conversas, porém, Guedes tem uma lista de nomes para comandar o BC caso Ilan não queira continuar.

Dessa lista constam dois ex-diretores do Banco Central - Mário Mesquita, economista chefe do Itau Unibanco e Benny Parnes, sócio da gestora SPX Capital - e o de Roberto Campos Neto, diretor do Santander.

Conta-se, também, com a possibilidade de alçar o atual diretor do BC, Carlos Viana, ao posto de presidente da instituição. Um dos critérios para a escolha é que o candidato tenha sólida formação acadêmica.

Na terça-feira, durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, Guedes conversou com a secretária executiva, Ana Paula Vescovi, e com o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. Na ocasião ele convidou Vescovi para ocupar a presidência da Caixa e Mansueto a permanecer no novo governo.

Ana Paula já havia decidido fazer um doutorado tão logo deixasse o cargo de secretária-executiva, no fim do governo Temer. Antes de reiniciar os estudos, prometeu tirar dois meses de férias com à família.

O convite para presidir a Caixa - banco público que teve o conselho de administração presidido por Ana Paula -contudo, reabriu a possibilidade de ela continuar no governo.

A decisão final, contudo, não está tomada e outros nomes, inclusive do setor privado, estão sendo considerados pelo futuro ministro da Fazenda.

Desde o início do ano, a atuação de Ana Paula no conselho da Caixa ganhou destaque, no que foi interpretado como uma intervenção do ministro da Fazenda no banco federal.

Ela vetou nomeações políticas e se alinhou com a recomendação do Ministério Público para afastar quatro vice-presidentes por denúncias de corrupção.

Ana Paula foi a maior defensora de um sistema de contratação profissionalizado para os cargos executivos de vice-presidente da Caixa, que nesta semana teve nova rodada de nomeações. A sua atuação ensejou um processo do ex-presidente da instituição Gilberto Occhi contra o banco e a própria Ana Paula. Occhi foi alvo de auditoria e investigação interna por suspeita de corrupção.

A agenda de trabalho do futuro ministro da Fazenda hoje prevê, pela manhã, discussão com a equipe de transição sobre privatizações, um dos projetos prioritários da futura administração Jair Bolsonaro.

À tarde, de acordo com informações da assessoria de Guedes, a reunião com a equipe de transição, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), tratará do ajuste fiscal. Vale lembrar que Guedes tem como meta zerar o déficit primário em 2019 e, para isso, terá que alterar o projeto do orçamento da União que tramita no Congresso e que prevê um déficit de R$ 139 bilhões.