Guerra comercial já afeta aviação global

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

Guerra comercial já afeta aviação global

Luke MacGregor/Bloomberg

Alexandre de Juniac, diretor-geral da Iata: "Governos devem se lembrar que prosperidade vem reforçando o comércio, e não elevando barreiras na economia"

A guerra comercial é um dos motivos do crescimento menor do transporte aéreo global de cargas, que só avançou 2,7% em junho de 2018 ante mesmo período do ano passado, comparado a 3,8% em maio e à média de expansão no primeiro semestre deste ano, de 4,7%.

Segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), a capacidade no setor de frete de cargas aumentou 4,1% em junho, sendo agora maior do que o crescimento da demanda.

Para a Iata, a desaceleração no volume de carga transportado é consistente com a moderação generalizada nos pedidos de exportação das fábricas desde o início de 2018.

Segundo a Iata, a amplitude da deterioração nas principais nações comerciais é indicativa de uma desaceleração estrutural nas condições do comércio global, em vez de um revés isolado. As encomendas recebidas por fábricas para exportações estão agora no negativo na China, Japão e nos Estados Unidos, grandes produtores globais.

No total, o componente de novos pedidos de exportação do Índice Global de Gerentes de Compras (PMI) caiu recentemente para o nível mais baixo desde julho de 2016, e agora está apenas um pouco acima da marca de 50, que corresponde a aumento dos pedidos de exportação. O indicador é consistente com o crescimento anual do FTK (indicador que mede a demanda de carga de uma empresa aérea) em torno de seu ritmo atual até o terceiro trimestre de 2018.

Outro elemento que contribuiu para a menor expansão no frete internacional de cargas foi a paralisação temporária das atividades da Nippon Cargo Airlines na segunda metade de junho. No entanto, mesmo que isso tenha causado potencial distorção no crescimento no mês, não altera a situação geral da carga aérea.

"O transporte de cargas continua a ser um negócio difícil e com riscos aumentando", afirmou o diretor-geral da Iata, Alexandre de Juniac. Para ele, embora o segmento esteja protegido da disputa envolvendo elevação de tarifas no comércio global, uma escalada nas tensões entre os países afeta a produção e as cadeias globais de valor, tornando o cenário bem pior.

"Guerras comerciais nunca produzem vencedores", afirmou o executivo em comunicado da associação. "Governos devem se lembrar que prosperidade vem reforçando o comércio e não elevando barreiras na economia."

Todas as regiões, com exceção da África, tiveram crescimento no volume de cargas aéreas transportadas em junho. Mas a desaceleração no crescimento na Ásia-Pacífico, que representa cerca de 37% do mercado de cargas aéreas globalmente, afetou a média mundial.

Na Ásia-Pacífico, a expansão do negócio foi de apenas 1,5%, e a capacidade aumentou 5,2%. As companhias aéreas da Europa tiveram crescimento de 3,3% no volume transportado. As da América do Norte cresceram 5,3%, ficando atrás apenas do "excepcional crescimento" da América Latina.

As companhias aéreas do mercado latino-americano tiveram aumento de demanda de 5,9% em junho, crescimento maior do que qualquer outra região - mas que perdeu ímpeto, comparado à expansão de 13,3% em maio.

Conforme a Iata, a recuperação no volume de carga aérea na região teve impulso menor nos últimos meses paralelamente à interrupção causada pela greve de caminhoneiros no Brasil, a maior economia do continente.

A capacidade das companhias latinas diminuiu 5,7%. Mesmo com a demanda por transporte de carga internacional diminuindo ligeiramente, a tendência de expansão continua bem acima da média de 1,6% dos últimos cinco anos. O crescimento acumulado no primeiro semestre de 2018 foi de 10,1%.

Na África, a contração da demanda foi de 8,5%.