Ibovespa amplia alta na reta final e toca máximas

Publicado em 12/01/2018 por Valor Online

A tendência de alta para a bolsa brasileira voltou a se desenhar com intensidade no pregão de ontem. À espera dos desdobramentos no cenário político, em especial o julgamento do ex-presidente Lula no próximo dia 24, o Ibovespa mostrou sua força recente e chegou a encostar nas máximas históricas, depois de dois dias de correção. No pregão de hoje, no entanto, a decisão da S&P de cortar a nota soberana brasileira, de "BB" para "BB-", anunciada na noite de ontem, pode esfriar o ímpeto do mercado acionário. O Ibovespa se aproveitou da forte alta das siderúrgicas e do movimento das bolsas no exterior para encerrar com ganho de 1,49%, aos 79.365 pontos. O giro financeiro foi de R$ 6,9 bilhões. O índice encerrou no ponto máximo atingido no dia, muito perto do recorde de fechamento do dia 8 de janeiro, de 79.379 pontos. No intradia, a máxima de 79.415 pontos foi registrada em 9 de janeiro. O pico foi tocado na reta final do pregão, depois que os papéis do setor siderúrgico começaram a intensificar o desempenho. O ambiente é bastante favorável aos negócios com os papéis, em meio aos ganhos esperados pelos investidores com os recentes reajustes de preços do aço anunciados pelas companhias. Os agentes de mercado também ficaram entusiasmados para negociar os papéis do setor depois que o BTG Pactual soltou relatório destacando o ambiente positivo para a siderurgia, elevando a recomendação para CSN (que teve alta de 5,85%) e Usiminas (5,37%), além de subir o preço-alvo de Gerdau (8,16%) para R$ 18,00 - ontem fechou R$ 14,97. A Metalúrgica Gerdau (5,03%) também esteve entre as maiores altas do Ibovespa. Para o responsável pela área de pesquisa de empresas da Western Asset, Patrick Conrad, a dinâmica do mercado chinês ajuda a explicar essa melhora de preços do aço, mas também a expansão da demanda doméstica está por trás do cenário favorável, que tem levado os papéis das companhias do setor aos maiores níveis em pelo menos um ano. Conrad explica que, no cenário internacional, a tentativa da China de conter a produção de aço por questões ambientais tem contribuído para valorizar o preço da matéria-prima no mundo. Com o câmbio doméstico relativamente estável, as empresas locais ganham espaço nesse ambiente. Mas existe também a força da indústria local, que tem elevado a demanda por aço, permitindo reajustes de preços em torno de 20%. "Tanto a indústria automotiva quanto a linha branca têm crescido, elevando a demanda pelo aço, o que permitiu que o reajuste de preços pedidos pelas siderúrgicas 'pegasse'", diz. Além da maior confiança do investidor internamente, os mercados tem tido performance positiva lá fora, com as bolsas renovando recordes em Nova York e dando importante suporte aos ativos de renda variável. O movimento no exterior é relevante em um momento em que o investidor estrangeiro tem ampliado sua exposição à bolsa brasileira - os ingressos de recursos já se aproximam dos R$ 3 bilhões até o dia 9 de janeiro. A recuperação foi tão intensa que se estendeu à Eletrobras. Altamente voláteis, as ações da estatal têm seguido de perto as informações sobre a privatização e chegaram a cair no dia, depois que a Justiça Federal de Pernambuco concedeu liminar que suspende os efeitos da Medida Provisória que permite a privatização da companhia. No fechamento, porém, a notícia ficou em segundo lugar e os papéis PNB da elétrica subiram 2,51%. Com o petróleo batendo a marca de US$ 70 o barril ontem, o dia foi de fortes ganhos para as ações da Petrobras, com a ordinária subindo 2,47% e a preferencial avançando 2,68%.