Ilan: Economia ainda está em recuperação e inflação se dirige à meta

Publicado em 12/03/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  Apesar de destacar os pontos positivos da economia brasileira e mundial atualmente, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, apontou alguns riscos existentes no momento durante evento no Brazil-Florida Business Council. O primeiro deles, observou, é o risco de um choque externo ou interno, que pode ter um impacto maior porque determinadas ações não foram feitas, como a reforma da Previdência.

"O primeiro [risco] é negativo, que é a gente ter um choque, seja externo ou interno, em um cenário onde ainda temos que fazer algumas das reformas, como a da Previdência, que foi adiada. Então, você ainda fica devendo esse dever de casa e pode ter um choque no meio. Se tivesse feito o dever de casa, um choque influenciaria menos", afirmou.

O segundo risco, de acordo com Ilan, é a inflação ficar baixa por mais tempo por conta da "inércia" proveniente do período de recessão. Nesse caso, ele afirma que o risco é "positivo". "Com a economia rodando em 3%, pode ser que nossa inércia nos empurre a ter inflação baixa por mais um tempo e isso faz com que o cenário básico - que é uma volta da inflação para a meta - possa repercutir mais inflação baixa por um tempo. Por que é lado do bem? Porque é mais fácil de lidar em um país que sempre viveu em inflação alta."

Ilan disse, contudo, que as expectativas para o futuro são positivas, inclusive na visão dos analistas, que, segundo ele, projetam crescimento de 2,9% em 2018 e de 3% para 2019. "A recuperação do PIB é melhor que o esperado", afirmou.

Ele lembrou ainda que a expectativa de inflação em 12 meses está em 3,70% e que a expectativa de juros reais está em 3%. "Ainda é alta, mas é um dos menores patamares que já tivemos", sustentou. Afirmou que as projeções para a inflação em dezembro de 2018 são de 4,2% e que a trajetória de preços está indo em direção a essa meta. O dirigente do BC complementou que alguns fenômenos ajudam a manter a inflação baixa, como a capacidade ociosa, que ainda é alta.

"Tem capacidade ociosa em termos de utilização do capital das empresas, mas já existia em 2015 e 2016. O que está diferente é que lá atrás em 2016 tinha uma expectativa de inflação de 8% para frente. No auge da incerteza, todo mundo achou que a inflação ia ficar bem alta. Talvez não 11%, mas que caísse um pouco para 8%", afirmou. Ao longo do tempo, em meados de 2016, a expectativa para o futuro passou para 5%, "bem mais perto" da meta de 4,5%. "E o realizado é o número que vocês veem até agora", completou.

O presidente do BC comentou também que o cenário internacional é positivo e proporciona uma "janela para realizar reformas". "Temos o mundo todo crescendo." Ele destacou que os Estados Unidos tiveram crescimento e recuperação de empregos, que devem continuar. "Na China não se fala mais em hard landing [desaceleração acentuada]. A economia global está crescendo 3,75%, de volta às melhores taxas que já tivemos", afirmou.

Ilan acrescentou que o déficit do balanço de pagamentos hoje é quase zero e que o Brasil tem "alta taxa de investimento estrangeiro direto". "O balanço de pagamentos do Brasil tem sido favorável para amortecer choques externos", disse.