Com incentivos do governo, vendas de carros elétricos superam as de convencionais na Noruega

Publicado em 12/01/2018 por Gazeta do Povo

Em 2017, as vendas de carros elétricos e híbridos na Noruega ultrapassaram as daqueles movidos a combustíveis fósseis, consolidando a posição do país como líder global na restrição de emissões de veículos.

Grande exportadora de petróleo, a Noruega parece uma defensora improvável dos novos veículos limpos. No entanto, o país oferece incentivos generosos, que tornam os carros elétricos mais baratos, e benefícios adicionais quando os automóveis estão rodando.

Países de todo o mundo vêm promovendo a produção de carros híbridos e elétricos. Enquanto a China tenta melhorar a qualidade do ar e dominar a tecnologia desses novos veículos, o governo do país quer que um em cada cinco carros vendidos funcione com combustíveis alternativos até 2025. A França e o Reino Unido planejam acabar com a venda de automóveis a gasolina e a diesel até 2040.

A Noruega está à frente do resto do mundo. Cerca de 52% dos carros novos vendidos no país no ano passado funcionam com novas formas de combustível, segundo dados divulgados recentemente pelo Conselho Consultivo de Tráfego Rodoviário da Noruega (OFV). A parcela de veículos a diesel, que já foram considerados mais amigáveis ao meio-ambiente, mas que agora estão em destaque por causa de suas emissões nocivas, caiu acentuadamente.

"Essa tendência só vai aumentar. E isso é bom para a segurança das estradas e para o meio ambiente", afirmou Oyvind Solberg Thorsen, diretor da OFV, em um comunicado.

As vendas de carros elétricos poderiam ter sido ainda maiores, de acordo com Christina Bu, secretária-geral da Associação Norueguesa de Veículos Elétricos, mas alguns compradores continuam a aguardar modelos novos, como o Model 3 da Tesla.

Embora os carros elétricos sejam apenas uma parcela pequena do mercado global hoje, as montadoras - que produzem apenas modelos elétricos, como a Tesla, e gigantes como a Volkswagen - apostam bilhões de dólares na previsão de que esses automóveis em breve ficarão mais baratos e serão tão onipresentes quanto os convencionais. Os investimentos nas estações de carga e em outras tecnologias ligadas aos veículos elétricos também estão aumentando.

A General Motors e a Ford afirmaram que vão focar nos modelos elétricos, enquanto montadoras como a Volvo querem eliminar totalmente a fabricação de motores de combustão interna. Juntando-se à batalha estão empreendedores como James Dyson que têm planos próprios de produzir veículos elétricos.

Um exemplo diferente

À medida que o mercado cresce, as montadoras carros elétricos enfrentam dificuldades. A Tesla retardou sua produção do Model 3, sua primeira oferta para o mercado de massa. E uma queda nas vendas globais de automóveis nos Estados Unidos pode retardar a expansão dos veículos elétricos.

A Noruega, que quer eliminar os carros a diesel e a gasolina até 2025, oferece um exemplo diferente.

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Na Noruega, 52% dos carros vendidos em 2017 eram elétricos ou híbridos. Thomas Haugersveen/NYT

A adoção dos carros elétricos no país foi acelerada pelos altos subsídios e pelas isenções fiscais do governo que tornam a tecnologia mais acessível. As autoridades expandiram a rede nacional de estações de carga, e ofereceram aos motoristas de automóveis elétricos vários outros benefícios: estacionamento mais barato, uso das faixas exclusivas de ônibus para quem viaja com mais de uma pessoa durante as horas de rush e isenções na maioria dos pedágios rodoviários.

Como resultado, os carros elétricos - identificados por placas que começam com as letras EL ou EK - tornaram-se comuns. Os Teslas podem ser vistos com frequência nas estradas norueguesas e principalmente nas partes mais ricas de Oslo, a capital. As estações de carga são relativamente fáceis de encontrar nas cidades principais.

"Há muito tempo queria um carro elétrico por questões ambientais, mas eles eram caros", afirma Zanete Anderson Lilley, conselheira sênior na Noruega do Fundo Mundial de Vida Selvagem, uma instituição de defesa do meio ambiente. No final, Lilley comprou um Kia Soul, um pequeno carro elétrico de cinco portas, por cerca de 200 mil coroas, ou US$ 24 mil, no ano passado.

"Se não fosse pelos subsídios, acho que a maioria das pessoas ainda escolheria os carros convencionais", afirma.

Resistência

Apesar do crescimento dos carros elétricos, os veículos (e o apoio governamental a eles) não são populares entre todos os habitantes.

No ano passado, o governo conservador da Noruega propôs rever as várias formas de alívio de imposto para os carros elétricos. Os planos, no entanto, atraíram críticas e não avançaram.

Bu, da Associação Norueguesa de Veículos Elétricos, diz que esse movimento criaria "uma grande incerteza em um momento em que cada vez mais noruegueses estão convencidos de que os carros elétricos são bons para eles".

Para Adam Curylo, motorista de ônibus que mora em Baerum, perto de Oslo, com a mulher e o filho, os veículos elétricos possuem limitações. Nativo da Polônia, Curylo comprou um Nissan Leaf elétrico, porque com o carro não precisaria pagar pedágios. Apesar de funcionar bem na cidade, ele ficou frustrado com a falta de estações de carga nas áreas rurais.

"Eu detesto - não dá prazer nem é prático. Temos apenas porque é mais barato usá-lo agora", afirma. "Os carros elétricos são apenas uma solução temporária, não são o futuro", acredita Curylo.