Índia viveu caos após eliminar principais notas

Publicado em 12/02/2018 por Folha de S. Paulo Online

Discussões sobre a eliminação do dinheiro em espécie não são exclusividade do Brasil. Em 2016, a Índia retirou do mercado notas de 500 e 1.000 rupias (R$ 25,50 e R$ 51, respectivamente), que respondiam por 85% do dinheiro em circulação no país.

O objetivo era combater a sonegação e corrupção, mas a medida acabou levando o país ao caos e fez indianos correrem aos bancos para trocar notas, que perderiam a validade.

Em 2016, o Banco Central Europeu tomou a decisão de não produzir e emitir mais notas de ? 500, "atendendo aos receios de que a mesma possa ser utilizada para facilitar atividades ilícitas". A cédula deixará de ser emitida no fim do ano.

"Uma pesquisa mostrou que a maioria dos europeus nunca viu uma nota de ? 500 (R$ 2.017). É um dinheiro que está nas mãos da máfia, políticos envolvidos em esquema de corrupção, tráfico de armas e de drogas", diz Alexandre Botelho, da AML Consulting.

Na Suécia, o próprio banco central indicou que o dinheiro pode sair de circulação até 2030, prevendo que, no futuro, as pessoas usarão cartão e moedas eletrônicas como meio de pagamento. Lá, o papel representa 2% de todos os pagamentos realizados.

No Brasil, o saldo médio de cédulas e moedas em poder do público era de R$ 202 bilhões em dezembro de 2017, segundo o BC. Como comparação, outros meios de pagamento, como cartões de crédito e débito, tinham saldo de R$ 358 bilhões.

Além da máfia, o tráfico de drogas historicamente se beneficiou das cédulas em espécie e de alto valor. O colombiano Pablo Escobar enterrou milhões de sua fortuna em território colombiano. Em 2016, um fazendeiro descobriu US$ 600 milhões de Escobar em seu terreno.

O PCC, maior facção de São Paulo, adotou a mesma estratégia e passou a enterrar dinheiro do tráfico. "O PCC compra casas com quintais e enterra os valores nessas casas e em sítios. Eles têm dificuldade de inserir os recursos no sistema financeiro e para comprar patrimônio em nome de laranja. É arriscado", diz Botelho.