Irlanda do Norte deve ficar na UE após brexit, diz Guardian

Publicado em 09/02/2018 por Folha de S. Paulo Online

A Irlanda do Norte deve permanecer na união aduaneira e no mercado comum europeu após a saída do Reino Unido da União Europeia, alertou a UE aos negociadores britânicos, segundo informou o diário "The Guardian" nesta sexta-feira (9). 

Pelo texto que Bruxelas espera que Londres assine, a Irlanda do Norte permanecerá sob legislação da UE ao fim do período de transição de 21 meses. 

Cartaz contra o brexit diz não à "fronteira dura", na fronteira entre Newry, na Irlanda do Norte, e Dundalk, na Irlanda
Cartaz contra o brexit diz não à "fronteira dura", na fronteira entre Newry, na Irlanda do Norte, e Dundalk, na Irlanda - Paul Faith - 1.dez.2017/AFP

A medida deve gerar atritos tanto entre britânicos e autoridades europeias, quanto dentro do partido Conservador de Theresa May e entre o governo e o partido Democrata Unionista, que forma a base de apoio parlamentar da premiê britânica.

"Não haverá espaço de manobra para o governo britânico", disse ao "Guardian" Philippe Lamber, líder dos Verdes no Parlamento Europeu e que foi informado da situação nesta semana pela negociador-chefe europeu, Michel Barnier, em Estrasburgo.

"Vamos deixar claro exatamente o que quereremos dizer com alinhamento regulatório no texto legal. Ficará muito claro. Isso pode causar alguns problemas no Reino Unido --mas não fomos nós que fizemos essa bagunça."

Barnier tem dito que o brexit, com as linhas vermelhas escolhidas por May, significa barreiras ao comércio na forma de controles na fronteira. 

Para autoridades da Irlanda do Norte, a questão de "fronteiras duras" é de segurança. 

No início da semana, George Hamilton, chefe do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte, alertou que qualquer infraestrutura na fronteira, mesmo que leve, poderia se tornar alvo de grupos armados e ser um perigo para os oficiais. "Os terroristas só têm de ter sorte uma vez e a obter um resultado com consequências catastróficas", afirmou.

A UE diz que o texto proposto é uma consequência lógica das conversas com o governo britânico em dezembro e vai permitir que a negociação siga adiante. 

O governo britânico afirmou que "na ausência de soluções acordadas, o Reino Unido vai manter alinhamento total com aquelas regras do mercado interno e união aduaneira que, agora ou no futuro, apoia a cooperação Norte-Sul, a economia de toda a ilha e a proteção do acordo de 1988 [Acordo de Belfast]", segundo o "Guardian".