Klabin mantém plano de novas máquinas de papel em 2021 e 2023

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

Klabin mantém plano de novas máquinas de papel em 2021 e 2023

Silvia Zamboni/valor

Teixeira, diretor-geral, disse que a diretoria preferiu reavaliar alguns detalhes da segunda máquina, para torná-la flexível

A Klabin mantém o cronograma anunciado para seu novo ciclo de crescimento, que compreende a instalação de uma nova linha de produção de celulose marrom integrada a duas máquinas de papel e investimentos da ordem de US$ 2 bilhões, embora o projeto ainda não tenha sido submetido à aprovação do conselho de administração. "A gente segue pensando em 2021 e 2023 para início das máquinas de papel e é isso que estamos discutindo na diretoria", disse o diretor-geral da companhia, Cristiano Teixeira, em encontro com analistas e investidores.

Havia expectativa, após indicações da própria companhia, de que o projeto de expansão fosse submetido ao conselho no início do quarto trimestre. Conforme Teixeira, isso ainda não ocorreu porque a diretoria preferiu reavaliar alguns detalhes da segunda máquina, com o objetivo de torná-la flexível para a produção de kraftliner e cartão, dois tipos diferentes de papel. A previsão agora é a de que o projeto siga para o colegiado em 2019, porém sem alterar os prazos de execução.

"Estamos usando mais um tempo para discutir flexibilidade", disse. O plano é que a segunda máquina, originalmente dedicada apenas a cartões, tenha a opcionalidade de produção de cartões ou kraft. Enquanto a primeira máquina usará 100% de fibra de eucalipto e será de baixa gramatura, a segunda usará até 80% de eucalipto, com uma gramatura mais pesada.

Com isso, a Klabin poderá ofertar papéis com ampla gama de gramatura, de 80 a 400 gramas. "Diante dessa gama e da flexibilidade, demos um passo para trás para garantir que uma máquina converse com a outra de gramatura mais pesada", acrescentou Teixeira. "Quero garantir que a data do início de operação não muda."

A companhia ainda não está trabalhando no financiamento do investimento e a oferta recente de bônus, que será retomada assim que o mercado indicar condições favoráveis, está relacionada à decisão da Klabin de alongar a dívida. Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Gustavo Sousa, a Klabin está dando continuidade ao processo iniciado no terceiro trimestre com duas operações, de notas de crédito à exportação (NCE) e certificados de recebíveis do agronegócio (CRA). "Isso continua no quarto trimestre e devemos ver mais ao longo do primeiro trimestre. Estamos identificando oportunidades neste fim de ano e esperamos condições favoráveis no começo do ano que vem."

Segundo Sousa, o avanço do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) tem permitido a redução da alavancagem financeira, trajetória que deve se manter nos próximos meses. Desde o fim de 2015, quando a alavancagem chegou a 6,3 vezes pela relação entre dívida líquida e Ebitda, a melhora foi significativa. Em setembro, o índice estava em 3,4 vezes em reais. "Estamos muito confiantes na evolução favorável dessa métrica", afirmou.

Com o encerramento antecipado do contrato com a Fibria para a venda de até 900 mil toneladas de celulose de fibra curta por ano, a Klabin assumirá em cinco meses, a partir de 14 de janeiro, a comercialização de 100% da celulose que produz na unidade Puma. O contrato entre Fibria e Klabin foi firmado em maio de 2015 e iniciado em março de 2016, com vigência por seis anos, mas acaba de ser encerrado diante da fusão entre Fibria e Suzano Papel e Celulose.

Segundo o gerente de celulose, Henrique Braga, a Klabin decidiu exercer a opção de encerrar o contrato, possibilidade prevista em face da troca de controle na Fibria, e entrou como parte da condição imposta pela Comissão Europeia para aprovar a transação. A Klabin assumirá gradualmente os volumes e já tem relacionamento com muitos dos clientes que compram sua fibra curta, que por contrato levam a marca da empresa.

Com o fim do acordo, a Klabin passa a contar com 1,1 milhão de toneladas de fibra curta para vender anualmente e, com esse porte, decidiu focar em clientes de pequena e média escala, o que resultará em aumento da rentabilidade. A meta é vender no máximo 100 mil toneladas por ano a cada cliente - ou uma média de até 50 mil toneladas -, garantindo pulverização da carteira na Europa e na Ásia. Diante disso, a expectativa é de aumento de preços médios da ordem de 5% em relação ao que é praticado pela Fibria hoje.

Durante a apresentação, o diretor-geral da Klabin disse que a companhia mudou 50% da diretoria nos últimos 12 meses e, hoje, metade dos diretores tem idade na faixa de 40 anos. O executivo reconheceu que 2018 foi difícil, por causa do cenário macroeconômico e eventos extraordinários como a greve dos caminhoneiros, mas a companhia conseguiu entregar "resultados substanciais".

Questionado sobre oportunidades de aquisição de ativos ou consolidação no segmento de papelão ondulado no país, o diretor-geral afirmou que o foco neste momento é o crescimento orgânico. Ao menos dois participantes desse mercado, International Paper e Celulose Irani, avaliam alternativas estratégicas para seus ativos.

O executivo lembrou que a Klabin está entre as poucas companhias do mundo nesse segmento com potencial de crescimento orgânico competitivo e não há uma oportunidade tão óbvia de geração de valor via consolidação como no caso de Fibria e Suzano.

"Mas há algumas oportunidades, e se for uma oportunidade e aqui estou falando de preço, a gente pode avaliar. Caso contrário, a gente não será agressivo na consolidação do setor", afirmou. Para o futuro, porém, a companhia mantém a posição de ser consolidadora nessa indústria.