Líder Aviação vê mudança de humor e volta do crescimento em petróleo

Publicado em 07/11/2018 por Valor Online

Líder Aviação vê mudança de humor e volta do crescimento em petróleo

BELO HORIZONTE  -  A mais tradicional empresa brasileira de aviação executiva, a Líder Aviação, começa a ver sinais de melhora em seus negócios. Mas ainda aguarda para 2020 uma movimentação mais consistente de recuperação, puxada pela indústria do petróleo.

 

Eduardo Vaz, presidente da Líder, afirma que este ano já houve um aumento de cerca de 20% nas contratações aeronaves, grande parte delas para o deslocamento de empresários e executivos. 

"Eu entendo que isso é um sinal de melhora na economia. Houve uma retomada de diversos setores", disse ele ao Valor na  sede da Líder, em Belo Horizonte. "Sinto uma mudança de humor."

A empresa, que completou 60 anos em 2018, ainda vive os efeitos da crise. O faturamento de casa de R$ 1 bilhão em 2013 e 2014 caiu para  menos de R$ 700 milhões este ano.

O que atingiu em cheio seus negócios foi a retração da indústria do petróleo. Os  principais clientes da Líder não são os altos executivos que alugam jatos, mas empresas de óleo e gás, que contratam helicópteros para transportar cotidianamente funcionários para as bases de produção em alto mar. 

 Sessenta e cinco por cento do faturamento da Líder vem desse setor. Há alguns anos chegou a  ser mais do que isso. 

 O problema foi a crise que se abateu sobre  esse mercado. Entre 2014 e 2016,  a cotação do barril de petróleo  caiu de US$ 115 para menos de US$ 30. Isso levou petroleiras a reduzirem investimentos na exploração e produção de novos campos pelo mundo, inclusive no Brasil. Empresas, como a Líder, que estão na cadeia de suprimentos e serviços do setor de óleo e gás, encolheram. 

 Mas então a cotação do barril entrou em recuperação e este ano oscilou entre US$ 70 e US$ 80.  Além disso, o Brasil voltou a chamar a atenção das petroleiras. Entre o ano passado e este ano, 18 empresas adquiriam em leilões áreas marítimas no país, sobretudo na camada pré-sal.

 "Nós estamos percebendo que estamos no começo de um ciclo de interesse por parte de várias empresas estrangeiras  e da própria Petrobras|", disse Vaz. "Temos a expectativa de que ao longo de 2019 haja mais contratações [de aeronaves] para operações que vão começar mais a partir de 2020."

 Segundo ele, as petroleiras que compraram novas áreas de petróleo na costa brasileira precisam ainda de um tempo para organizar sua cadeia produtiva, transferir pessoal para o país. "Isso é lento, é um transatlântico", diz Vaz.

 Mesmo assim, a Líder já tem tido conversas preliminares com algumas dessas companhias. "Existem algumas licitações em andamento das quais estamos participando, como as da Shell e da Total", afirma o executivo.

 A Líder é dona hoje de uma frota de 60 aeronaves, sendo 42 helicópteros e 18 aviões. 

 Entre 2014 e 2015, a empresa vendeu cerca de 10 aparelhos. A medida que fez parte de uma política de  ajuste e cortes de investimentos quando a crise do setor de óleo e gás e a retração da economia brasileira já afetavam a demanda e o faturamento da Líder.

O ajuste deu resultado. "De 2013 até o fim deste ano, a nossa dívida líquida caiu 90% e vai ficar abaixo de US$ 30 milhões.", diz Vaz. Com uma situação financeira mais confortável, a empresa espera poder aproveitar a onda de reaquecimento dos negócios.

A Líder, de capital nacional, tem dois concorrentes importantes no país: a BHS (do grupo CHC, com sede no Canadá) e a Omni (do grupo OMNI Helicopters International, sediado em Portugal). Segundo Eduardo Vaz, cada uma tem cerca de um terço da fatia do mercado no Brasil. 

Seu otimismo em relação a um reaquecimento de seu setor se soma ao otimismo que afirma ter em relação ao governo que assume em janeiro.

"Mesmo ainda sem um plano global e estruturado, as ideias do presidente eleito, Jair Bolsonaro, e do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, voltadas para uma agenda liberal, são pertinentes e nos deixam otimistas", afirma Eduardo Vaz. 

"Se a futura equipe conseguir reduzir o tamanho da dívida do Estado, teremos mais investimentos em outras áreas e todos têm a ganhar e o país poderá prosperar novamente."