Lucro da Gerdau avança 9 vezes no segundo trimestre

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  (Atualizada às 9h53) O lucro líquido atribuído a controladores da produtora de aços longos Gerdau ficou em R$ 694,6 milhões no segundo trimestre, aponta balanço publicado na manhã desta quarta-feira. O número representa mais de nove vezes o obtido há um ano. O resultado líquido consolidado cresceu em ritmo semelhante, para R$ 698,3 milhões.

De abril a junho, a receita líquida da companhia, que tem as maiores operações no Brasil e na América do Norte, totalizou R$ 12,04 bilhões. A alta, em comparação anual, foi de 31,3%. Ao mesmo tempo, os custos de venda somaram R$ 10,39 bilhões, subindo em ritmo menor, de 26,3%. Com isso, o lucro bruto da Gerdau cresceu 75,6% na mesma comparação, para R$ 1,64 bilhão.

As despesas com vendas subiram 18,2% no trimestre, para R$ 157,6 milhões, e as gerais e administrativas caíram 4,8%, para R$ 273,4 milhões. A empresa ainda contabilizou R$ 47,8 milhões de perdas em ativos mantidos para venda.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Gerdau, calculado pela instrução 527 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foi a R$ 1,64 bilhão, aumento de 62,7%. Já o ajustado, que exclui resultados de controladas e coligadas e outros efeitos não recorrentes, chegou a R$ 1,76 bilhão, alta de 56,8%.

O resultado operacional da companhia subiu 145,8%, para R$ 1,18 bilhão, no período.

Dívida

A companhia encerrou junho com dívida líquida de R$ 15,17 bilhões, 12,6% acima do apresentado em março. O endividamento bruto cresceu 8,3%, para R$ 18,12 bilhões, enquanto o caixa e equivalentes recuou 9,4%, para R$ 2,94 bilhões. Como 84% do endividamento é denominado em dólares, a desvalorização do real contribuiu para esse aumento.

Mesmo assim, por conta do resultado melhor no período, a alavancagem financeira da Gerdau, que relaciona dívida líquida e Ebitda, permaneceu estável ante o fim do trimestre imediatamente anterior, em 2,7 vezes. Essa alta das obrigações impulsionou as despesas financeiras líquidas, que cresceram 41,2%, para R$ 713 milhões. A maior parte, ou R$ 388 milhões, foram contabilizadas pela variação cambial.

A empresa também informou, no comentário da administração que acompanha o balanço, que o capital de giro foi a R$ 8,4 bilhões no segundo trimestre, aumento de 18,3% ante o período de janeiro a março, apesar do ciclo financeiro ter caído, de 74 para 72 dias.

Em termos de investimentos em capital fixo, foram aplicados R$ 299 milhões no trimestre, 53,3% a mais do que um ano antes. A companhia segue prevendo R$ 1,2 bilhão de desembolsos durante o ano como um todo, tendo já gasto R$ 516 milhões no primeiro semestre.

Por conta do forte aumento do capital de giro, o fluxo de caixa livre da siderúrgica foi afetado, ficando em apenas R$ 86 milhões no período. Nos três primeiros meses do ano, havia sido de R$ 65 milhões, e no segundo trimestre de 2017, de R$ 241 milhões — a queda em comparação anual foi de 64,3%.

Vendas

A siderúrgica Gerdau informou que vendeu 3,83 milhões de toneladas de aço durante o segundo trimestre, 3,4% a mais do que no ano anterior. A produção, por outro lado, foi reduzida em 2,5% na mesma comparação, devido a uma parada na usina integrada de Ouro Branco, em Minas Gerais.

No Brasil, foram produzidas 1,38 milhão de toneladas de aço bruto no período, queda de 10,6%. As vendas totais atingiram 1,36 milhão de toneladas, caindo 1,2%. A maior parte desse recuo se deu por conta do mercado externo — internamente a alta foi de 12,7%, para 982 mil toneladas. As exportações diminuíram em 25,1%, para 382 mil toneladas.

Só de aços planos, que são produzidos apenas em Ouro Branco, o avanço das vendas foi de 10,4%, para 339 mil toneladas — um quarto do total da unidade brasileira.

Já na América do Norte, a produção de aço bruto atingiu 1,76 milhão de toneladas, após crescer 3,2%. As vendas subiram 6,5%, para 1,67 milhão de toneladas. Na operação da América do Sul, foram observadas queda de 22,6% na produção, para 216 mil toneladas, e de 12,5% nas vendas, para 386 mil toneladas.

Essa piora nos negócios em território sul-americano é causada pela venda das controladas na Colômbia. Não fosse isso, as vendas teriam aumentado. A empresa ainda concluiu no fim do trimestre a alienação das operações no Chile.

A Gerdau informou também que a produção na unidade de aços especiais foi de 637 mil toneladas no segundo trimestre, 12,5% a mais em comparação anual. As vendas avançaram 11,1%, para 569 mil toneladas.

Metalúrgica

No período, a Metalúrgica Gerdau obteve um lucro líquido de R$ 682,5 milhões, aumento de 9,5 vezes em relação aos R$ 71,8 milhões apurados no mesmo período do ano passado, com o crescimento das vendas. As de aço subiram 3,4%, para 3,8 milhões toneladas, com a maior demanda na América do Norte.

Combinado com o crescimento dos preços no mercado internacional, a receita da Metalúrgica Gerdau cresceu 31,3%, em base anual, indo de R$ 9,1 bilhões para R$ 12 bilhões. Preço alto e maior demanda na América do Norte compensaram os efeitos da queda de 2,5% na produção de aço, para 3,9 milhões de toneladas, provocada pela greve dos caminhoneiros.

O lucro bruto da companhia cresceu 75,5%, para R$ 1,6 bilhão, com a margem bruta indo de 10,2% para 13,7%, com o crescimento da receita líquida por tonelada vendida compensando a alta do custo. Os custos totais com vendas cresceram 26,3%, a R$ 10,4 bilhões, diante da valorização das matérias primas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 62,1%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado, que considera ganhos e perdas em ativos mantidos para venda, resultado de equivalência patrimonial e Ebitda das controladas, cresceu 56,3%, para R$ 1,7 bilhão. A companhia creditou o desempenho à boa performance de todas as operações. A margem Ebitda ajustada cresceu de 12,2% para 14,5%.

As despesas com vendas e com aspectos administrativos cresceram 2,6%, para R$ 432 milhões, mas a companhia afirmou que trata-se do melhor nível de sua história, representando 3,6% de sua receita líquida.

A Metalúrgica Gerdau apresentou uma despesa financeira líquida de R$ 723 milhões no segundo trimestre, alta de 42%. O principal motivo para o avanço foi o crescimento de quatro vezes das despesas relacionadas à variação cambial sobre os passivos contratados em dólar. No período, a depreciação da cotação final do real ante a moeda americana foi de 16%.

A despesa financeira total caiu 30%, para R$ 35 milhões, com os esforços para reduzir o endividamento bruto, que recuou 9,4% em base anual, para R$ 18,7 bilhões. A dívida líquida cresceu 3,5%, na mesma base de comparação, para R$ 15,8 bilhões. A alavancagem medida pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda recuou de 3,8 vezes para 2,8 vezes no segundo trimestre.

Os investimentos da companhia somaram R$ 300 milhões, com 49,3% do montante destinado ao Brasil, 35,9% para as operações da América do Norte, 11,4% para Aços Especiais e 3,4% para a América do Sul.