Maioria do PSD prefere candidato único de centro, diz Kassab

Publicado em 09/02/2018 por Valor Online

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), disse ontem que a bancada do PSD tem uma posição majoritária de apresentar um único candidato à Presidência da República nas eleições de 2018 e disse que, não necessariamente, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, será esse candidato. Na avaliação de Kassab, Meirelles tem todas as condições de ser presidente e, caso se eleja, "será um grande presidente". O ministro ressaltou, porém, que o PSD é um partido de centro e que o objetivo é apresentar uma candidatura única. "Não é uma posição unânime do partido, mas é majoritária", disse, observando que, diante dessa posição majoritária, existe um esforço grande do partido em dar visibilidade a Meirelles para que ele possa ser candidato. Kassab observou, porém, que, se no momento da definição, houver indicativo em relação a perspectivas de que existe uma outra candidatura de outro partido que possa ser mais viável, essa candidatura muito provavelmente terá a preferência do partido. "Isso não quer dizer que Meirelles será esse candidato. Todos sabem o esforço que o PSD faz para valorizá-lo. Ele merece esforço do partido e vamos continuar fazendo, mas é evidente que pesquisa é importante, perspectiva é importante, candidatura de outros partidos é importante", disse, enfatizando que a relação entre o PSD e Meirelles é muito honesta e transparente. "O PSD tem orgulho de tê-lo conosco e tenho certeza que ele tem muito orgulho nesse partido", considerou Kassab, que negou ainda que tenha havido alguma conversa com Meirelles sobre seu desligamento do partido. "Nunca teve essa conversa e é evidente que, num processo político brasileiro com tantos partidos, sempre existe convite de outros partidos para lideranças políticas de projeção, como é o caso do ministro Henrique Meirelles", acrescentou. Questionado sobre se, em São Paulo, o PSD apoiaria seu nome como vice-governador de João Doria, Kassab afirmou "personalizar nesse momento uma composição não é saudável e correto". "O que existe sim é quase consolidação de uma aliança PSDB com PSD, na qual o PSDB indicaria o candidato a governador e o PSD a vice-governador", afirmou. Kassab considerou que o prefeito João Doria "cada vez mais se habilita a ser candidato", mas que o PSD não vai interferir nessa questão dentro do PSDB. "O que posso dizer é que existe cada vez mais tendência do PSD de caminhar com o PSDB em SP", disse. "É uma conversa bastante avançada que precisa evidentemente passar pela instância dos partidos dirigentes, mas é tendência que se consolida a cada dia", afirmou. Em Belo Horizonte, o ministro da Fazenda voltou a dizer que deixará para o último momento a decisão de se apresentar ou não como candidato ao Planalto. Ele afirmou também que continua acreditando que melhoras da economia sensibilizarão os eleitores a tempo de dar fortalecer um candidato de centro. "Acredito que sim", disse ele a jornalistas ao ser perguntado sobre o tema. "A economia está melhorando e é uma questão de tempo, é uma questão de procurar se levar essa mensagem e com o passar do tempo mais pessoas estão empregadas, inflação continua baixa, empresas continuam a vender mais mês a mês", disse ele após encontro com empresários. Meirelles não quis fazer comentários sobre conversas a respeito de uma migração sua do PSD para o PMDB. E disse que a aprovação da reforma da Previdência não será o que pesará em sua decisão de disputar a presidência. O que será decisivo será, segundo ele, uma avaliação de suas condições eleitorais.