Mansueto: descumprir regra de ouro pode resultar em prisão da equipe econômica

Publicado em 11/10/2017 por DCI

10/10/2017 - 15h12

Mansueto: descumprir regra de ouro pode resultar em prisão da equipe econômica

SÃO PAULO - O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, mostrou preocupação nesta terça-feira, 10, em palestra durante evento da Moodys com a possibilidade de o Brasil não cumprir a chamada "regra de ouro", medida constitucional que impede que o governo aumente a dívida para arcar com despesas correntes. "Infringir a regra de ouro dá cadeia e pega toda hierarquia."

Não cumprir a regra de ouro é mais grave que ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal, ressaltou Mansueto. "Agora batemos em uma trava fiscal que ninguém nunca deu importância, a regra de ouro", disse no final de sua palestra. "O problema deste buraco no ano que vem é de R$ 184 bilhões", disse ele, ressaltando que o governo está tomando medidas necessárias para cumprir com esta regra. O secretário brincou ao final dizendo que o risco de não se cumprir a regra de ouro é zero porque ninguém da equipe econômica quer ser preso.

"A situação fiscal do Brasil chegou a um nível tal que se o governo fizer investimento zero e grande parte dos ministérios forem fechados, a despesa é maior que a receita." Fica claro, disse ele, que o problema para o ajuste fiscal é a despesa obrigatória e, dentro deste item, a que mais cresce é a Previdência, com o país tendo nível de gasto com aposentadoria maior que países desenvolvidos, como o Japão.

Mansueto citou que os índices de confiança dos investidores e consumidores está melhorando e o risco país teve queda expressiva. Tudo isso, porém, está ocorrendo com a premissa de que o País vai prosseguir com o ajuste fiscal. "Estamos em uma crise decorrente de erros econômicos locais."

Ao falar das eleições de 2018, Mansueto ressaltou que o ajuste fiscal terá que prosseguir no próximo governo. Se resolver reverter as medidas tomadas na gestão de Michel Temer, o secretário avalia que o novo presidente da República terá que arcar com "custo enorme", por exemplo, com a disparada do dólar e dos juros. "Não vejo a possibilidade de um próximo presidente, qualquer que seja o partido, mudar drasticamente a política atual, que está funcionando."

O secretário ressaltou ainda que a recuperação da economia tem vindo em ritmo acima do previsto e os leilões de concessão até agora tiveram forte demanda dos investidores.

Estadão Conteúdo

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