Mercado projeta inflação mais baixa e expansão menor do PIB em 2018

Publicado em 03/12/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  (Atualizada às 9h49) A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia em 2018 mostrou recuo pela primeira vez desde 8 de outubro, de 1,39% para 1,32%, segundo a pesquisa semanal Focus, do Banco Central (BC), divulgada nesta segunda-feira.

O ajuste ocorre após a divulgação na sexta-feira passada do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do terceiro trimestre, de avanço de 0,8% perante os três meses anteriores. O resultado ficou levemente acima da média apurada pelo Valor Data junto a 21 consultorias e instituições financeiras, que apontava para um crescimento de 0,7% no período

Em relação a 2019, o ponto-médio das estimativas de crescimento da economia brasileira passou de 2,50% para 2,53%. 

A equipe econômica reduziu de 1,6% para 1,4% a previsão de expansão da economia para este ano, segundo o relatório de receitas e despesas do quinto bimestre, publicado pelo Ministério do Planejamento no mês passado.

Inflação

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial em 2018 teve a sexta queda seguida, de 3,94% para 3,89%.

No caso do próximo ano, houve o quarto corte consecutivo na expectativa para a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 4,12% para 4,11%. Para os próximos 12 meses, a estimativa registrou alta, de 3,67% para 3,73%.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo, a mediana para a inflação oficial manteve-se em 3,91% neste ano e em 3,96% no próximo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o IPCA de novembro na próxima sexta-feira, dia 7. 

A equipe econômica elevou de 4,1% para 4,3% a projeção para o IPCA deste ano, segundo o relatório de receitas e despesas do quinto bimestre, publicado pelo Ministério do Planejamento em novembro

Câmbio

Os economistas do mercado voltaram a elevar suas apostas para o dólar no fim de 2018 pela primeira vez desde 24 de setembro, agora de R$ 3,70 para R$ 3,75.

Para 2019, a mediana das projeções também foi ajustada para cima, de R$ 3,78 para R$ 3,80 entre uma semana e outra.

Entre os economistas Top 5, de médio prazo, o ponto-médio das apostas subiu de R$ 3,73 para R$ 3,80 no fim de 2018 e permaneceu nos mesmos R$ 3,70 das últimas três semanas para 2019.

Juros

As medianas das estimativas para a taxa básica de juros não sofreram alterações: ficaram em 6,50% no fim deste ano tanto entre os economistas em geral (pela 28ª semana consecutiva) quanto entre os Top 5 de médio prazo (aí pela 29ª semana seguida). O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) tem sua última reunião na próxima semana, com anúncio da decisão na quarta, 12 de dezembro.

Para o encerramento de 2019, o ponto-médio do mercado segue apontando para Selic a 7,75% entre os economistas em geral - patamar alcançado na semana passada após 45 pesquisas em 8% - e 7% entre os campeões de acertos, após deixar os 7,50% na sondagem anterior à divulgada nesta segunda.

No último encontro, encerrado em 31 de outubro, o Copom manteve a Selic em 6,5%, patamar em que está desde a reunião de março.

Na ata do encontro mais recente, a autoridade monetária avaliou que a redução das incertezas domésticas - em referência indireta à eleição de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República -, que gerou queda nos prêmios de risco de ativos brasileiro como juros e câmbio, está por trás da melhora no balanço de riscos para a inflação que permitiu a manutenção da taxa básica de juros.

O BC não retirou, contudo, a indicação de que poderá subir os juros se o cenário inflacionário e/ou se o balanço de riscos para a inflação piorarem.