Mercado vê inflação maior em 2018 e 2019 e economia perder ímpeto

Publicado em 11/06/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial em 2018 subiu de 3,65% para 3,82%, segundo a pesquisa semanal Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC). Foi a quarta elevação consecutiva para o período.

Para 12 meses, as expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passaram de 4,38% para 4,49%. No caso de 2019, a estimativa saiu de 4,01% para 4,07% de aumento.

Entre os economistas que mais acertam as previsões, os chamados Top 5, de médio prazo, a previsão para a inflação de 2018 teve uma expressiva alta, de 0,39 ponto percentual, indo de 3,24% para 3,63%. Quanto a 2019, a projeção foi de 3,75% para 4%.

As estimativas para a taxa básica de juros, Selic, não sofreram alterações, ficando em 6,50% para o fim de 2018 e em 8% no encerramento de 2019 tanto entre os economistas em geral quanto entre os Top 5 de médio prazo.

Com relação à atividade econômica, a projeção para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) em 2018 foi revista para baixo pela sexta semana consecutiva, agora de 2,18% para 1,94% de crescimento. Para o ano seguinte, a estimativa também foi revista, para 2,80% de expansão, depois de 19 semanas parada em 3%.

No fim de maio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a economia brasileira cresceu apenas 0,4% entre janeiro e março, em relação aos três meses anteriores. Embora o número tenha vindo pouco acima das estimativas do mercado — os economistas consultados pelo Valor Data, por exemplo, tinham uma expectativa média de um crescimento de 0,3% —, a diferença parece ser insuficiente para compensar as prováveis perdas provocadas pela paralisação dos caminhoneiros no PIB do segundo trimestre.

Isso, somado à desaceleração do investimento e ao fraco desempenho da indústria e dos serviços no começo do ano, vem provocando a revisão para baixo por parte de diversas casas de análise e instituições financeiras em suas projeções para o resultado do PIB brasileiro, de uma faixa de 0,8% para próximo de zero no segundo trimestre e de mais de 2% para cerca de 1,5% em 2018.