Motocicletas populares devem ter retomada tímida das vendas

Publicado em 14/11/2017 por DCI

14/11/2017 - 05h00

Motocicletas populares devem ter retomada tímida das vendas

São Paulo - O mercado de motos populares começa a vislumbrar um horizonte de retomada, ainda que de maneira tímida. Para 2018, os principais players deste segmento no Brasil, a Honda e a Yamaha, projetam vendas cerca de 5% maiores.

No entanto, os volumes do ano que vem não devem compensar a retração acumulada desde 2011, auge do mercado doméstico. "Antes de 2025, não devemos registrar a venda recorde do passado recente", avalia o presidente da Honda América do Sul, Issao Mizoguchi.

Segundo o executivo, os emplacamentos de motos deverão avançar cerca de 5% em 2018, desempenho que a Honda deve acompanhar. "Apesar da melhora do cenário econômico, o nível de desemprego continua elevado", pondera o diretor comercial da Honda, Alexandre Cury.

A montadora responde por cerca de 80% dos emplacamentos totais de motos no Brasil e, desde 2011, o complexo fabril da marca na Zona Franca de Manaus perdeu metade da sua força de trabalho. "Hoje, temos cerca de 5 mil funcionários em dois turnos", relata Mizoguchi.

A Honda chegou a produzir 1,5 milhão de unidades em 2011 e, para este ano, deve escoar aproximadamente 720 mil motos em Manaus. "Uma parte do nosso maior público, o de baixa renda, está sem emprego e o restante perdeu a confiança", pondera Cury.

O diretor comercial da Yamaha, Ricardo Susini, estima um crescimento das vendas no Brasil de 4% para 2018. A fábrica da montadora, em Manaus, opera em apenas um turno atualmente. "Estamos nos preparando para elevar os níveis de produção", afirma o executivo. Segundo ele, a montadora voltou a operar com volumes de 9 a 10 mil unidades mensais. Em setembro deste ano, a marca atingiu participação recorde no mercado brasileiro, com um total de 15,2%.

"Ampliamos o nosso portfólio e entramos em novos segmentos, como o de scooters, por exemplo", observa. Com isso, a Yamaha elevou market share em meio à queda do mercado doméstico. "Crescemos em segmentos que não atuávamos e também naqueles onde já tínhamos presença."

Conforme projeção da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), neste ano os emplacamentos devem recuar 4,4% sobre 2016. Se confirmada, esta será a sexta queda consecutiva de vendas.

"O mercado apenas parou de cair", pontua o presidente da Honda. Segundo Mizoguchi, o Brasil precisa de estabilidade econômica para que o consumidor de motos - especialmente no segmento até 150 cilindradas - volte a comprar. "Acreditamos na retomada do crescimento da economia, mas de forma gradual", pondera.

Como apostas para enfrentar o cenário turbulento, a Yamaha, por exemplo, está lançando novos modelos. A Honda, além da renovação do portfólio, está otimizando a sua operação, incluindo o aumento da verticalização.

"Internalizamos recentemente a produção de tubos. Medidas como esta contribuem para a redução dos custos totais", observa.

Juliana Estigarríbia

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