Movida termina trimestre com lucro três vezes maior

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  A Movida, terceira maior locadora de veículos do país e controlada pelo grupo JSL, contabilizou lucro líquido de R$ 39,9 milhões no segundo trimestre de 2018, ganho mais de três vezes superior aos R$ 11,1 milhões de um ano antes. A companhia conseguiu elevar as receitas neste período a um ritmo superior ao apresentado pelas despesas.

Assim, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Movida no trimestre cresceu 65,3% ante um ano antes e atingiu R$ 118,2 milhões, elevando a margem Ebitda da companhia, de 32% para 42,9%.

Nessa mesma base de comparação, a receita líquida total da Movida aumentou 6,4%, para R$ 650,3 milhões de abril a junho, com o incremento da frota e a ampliação da taxa de utilização dos carros.

“Esse é um negócio de escala”, disse o presidente da Movida, Renato Franklin. “Estamos trabalhando para ter uma frota operacional disponível maior, o que permite elevar a taxa de utilização dos ativos”, afirmou o executivo.

O desempenho das vendas da Movida no segundo trimestre foi liderado pelos serviços — locação de veículos e gestão de frotas —, que apresentaram avanço de 23,2% na receita, somando R$ 275,6 milhões.

No segmento de aluguel de carros no varejo (Rent a Car, ou RAC, na sigla em inglês), a receita líquida aumentou 17,1% e alcançou R$ 205,1 milhões. Segundo a companhia, esse avanço foi resultado principalmente do crescimento da frota, em 5%, para 56,7 mil unidades.

O presidente da Movida disse que a retomada da atividade econômica ainda tem se mostrado frágil, com reflexos diferentes nas unidades de negócios.

Sobre o segmento de locação de veículos, por exemplo, o dólar volátil estimulou a demanda pelo turismo doméstico, gerando mais aluguel de carros entre as pessoas físicas que viajam no país. Já no segmentos de revenda de carros seminovos, a cautela dos agentes econômicos em investir tem afetado a demanda.

O volume de diárias no Rent a Car cresceu 20% no segundo trimestre, frente ao mesmo intervalo de 2017, apresentando taxa de ocupação recorde de 77,4%, ante 74,3% um ano antes, mesmo em um trimestre de baixa sazonalidade e com a greve dos caminhoneiros, destacou Franklin, que não calculou quanto a empresa pode ter perdido por causa da paralisação. Nessa unidade de locação, o custo caiu 6,6%, para R$ 69,7 milhões, enquanto as despesas gerais e administrativas subiram 5,9%, a R$ 62,5 milhões.

Já na área de gestão de frotas (GTF), a Movida teve receita de R$ 70,5 milhões entre abril e junho, 45% mais que um ano antes, graças à adição de 6 mil novos carros à frota operacional, que finalizou junho com 21,7 mil carros.

Os custos na área de gestão de frotas da Movida subiram 40%, uma variação pouco abaixo do avanço visto na receita, para R$ 22,6 milhões. “Ainda temos muito potencial nesse segmento porque é baixo o percentual de empresas que terceirizam as frotas no Brasil”, disse Franklin.

A unidade de revenda de seminovos da Movida no segundo trimestre teve retração de 4,4% na receita, que ficou em R$ 334,3 milhões.

A empresa vendeu 8,7 mil carros entre abril e junho, ante 9,5 mil unidades um ano antes. A empresa apurou uma evolução de 8,6 pontos percentuais na participação do varejo nas vendas totais, chegando a mais de 50% dos negócios, o que colaborou para a expansão de 3,4% no preço médio do carro vendido, que atingiu R$ 38,3 mil.

“O menor ritmo de vendas de seminovos se deveu à nossa opção por vender mais no varejo, que possui margens mais elevadas, mas o ciclo de comercialização é mais lento que no atacado”, disse Franklin. A Movida chegou ao fim de junho com 60 lojas de revenda de seminovos e 186 unidades de aluguel de carros, ante 60 e 183, respectivamente, um ano antes.

Ainda ao fim de junho, a dívida líquida de R$ 1,2 bilhão e uma alavancagem — medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda de 12 meses — de 3,1 vezes, ante 2,8 vezes um ano antes.

O diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Edmar Lopes, disse que a Movida vai seguir com o plano de alongar dívidas, citando a operação fechada nesta semana, por meio da qual concluiu emissões de debêntures que somam R$ 700 milhões.

Segundo o executivo, o caixa da companhia, de R$ 1,1 bilhão, é mais que suficiente para fazer frente aos vencimentos até dezembro de 2019. “Estamos prontos para passar 2019, será o primeiro ano de um novo governo, sem necessidade de acessar o mercado”, disse.