Mulheres trabalham quase o dobro de horas que homens nas tarefas domésticas

Publicado em 07/12/2017 por Correio Braziliense Online


As tarefas domésticas ainda são realizadas majoritariamente por mulheres. Em 2016, 90,6% delas realizaram algum tipo de afazer doméstico por, no mínimo, uma hora semanal. Já a mesma atividade foi realizada por 74,1% dos homens. É o que mostra o módulo Outras formas de trabalho da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quinta-feira (7/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não apenas mais mulheres realizaram atividades em casa, como também realizaram por um período maior de tempo. Em 2016, elas se dedicaram por um período médio de 20,9 horas semanais. Os homens, por sua vez, desempenharam atividades domésticas por um período médio de 11,1 horas. A maior taxa de realização dos afazeres domiciliares ficou entre as cônjuges: 95,6% delas desempenharam cuidados com o lar. Entre os homens, 76,4% dos cônjuges realizou algum tipo de atividade em casa.

A pesquisa é inédita e foi idealizada com o objetivo de mensurar como outros tipos de atividades impactam o mercado de trabalho como um todo. Na avaliação do IBGE, a maior carga de horário média e o elevado número de mulheres desempenhando alguma tarefa doméstica explicam, em parte, os motivos de a participação da mulher no mercado de trabalho ser menor que a do homem.

Trabalho invisível no país

No ano passado, 6,3% dos 166,7 milhões de brasileiros de 14 anos de idade ou mais - o equivalente a 10,5 milhões de pessoas - trabalhavam na produção para o próprio consumo, voltada para uso exclusivo dos moradores do domicílio ou de parentes que viviam em outra moradia. É o que mostra a pesquisa Outras Formas de Trabalho 2016, divulgada nesta quinta-feira (7/12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisadora da Coordenação de Trabalho e Rendimentos do IBGE, economista Alessandra Brito, informou que o levantamento segue recomendação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que procura abordar formas mais amplas de trabalho do que aquelas voltadas exclusivamente para o mercado. "Esse é um trabalho meio invisível", observou Alessandra. "As atividades não entram na conta das pessoas ocupadas que a gente divulga". São consideradas outras formas de trabalho a atividade na produção de bens; os cuidados de pessoas, afazeres domésticos e o trabalho voluntário.