Núcleos e serviços mostram quadro de inflação tranquilo

Publicado em 08/11/2018 por Valor Online

Núcleos e serviços mostram quadro de inflação tranquilo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de outubro mostrou um quadro inflacionário bastante favorável. O indicador subiu 0,45% no mês passado, consideravelmente abaixo da média das projeções dos 35 analistas ouvidos pelo Valor Data, de 0,56%. O grupo de alimentação e bebidas teve alta menos intensa do que a esperada, mas as boas notícias não se limitaram a esses produtos. Serviços e núcleos, que buscam eliminar ou reduzir a influência dos itens mais voláteis, também perderam força, retratando uma inflação tranquila.

No acumulado em 12 meses, o IPCA subiu de 4,53% em setembro para 4,56% em outubro. A expectativa generalizada, contudo, é que o indicador perderá força nessa métrica nos próximos meses, fechando o ano abaixo da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 4,5%. O consenso de mercado aponta para um IPCA de 4,4% em 2018. Como o resultado de outubro surpreendeu para baixo, é possível que os analistas reduzam um pouco as estimativas para o IPCA de 2018.

O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,59% em outubro, bem mais que o 0,1% de setembro. No entanto, a expectativa do mercado era de uma alta mais forte. A MCM Consultores esperava um avanço de 0,9%, e a Rosenberg Associados, um aumento de 1,02%.

A economista Basiliki Litvak, da MCM, diz que o principal desvio em relação à estimativa da consultoria para o IPCA, de 0,55%, foi mesmo dos itens de alimentação. "Houve altas menos intensas que as esperadas para tubérculos, raízes e legumes, carnes e alimentação fora do domicílio", diz Basiliki. No grupo saúde e cuidados pessoais, os últimos também ficaram bastante abaixo do previsto. Em vez de uma variação de 0,55%, os itens de saúde e cuidados pessoais tiveram aumento de 0,27%. Já os outros grupos vieram próximos do esperado, segundo Basiliki.

O resultados dos núcleos foi muito benigno. A média de sete dessas medidas passou de 0,32% em setembro para 0,22% em outubro, de acordo com a MCM. Em 12 meses, a média desses núcleos recuou de 3,04% para 2,93%, voltando a ficar abaixo de 3%, o piso da banda de tolerância da meta.

Os núcleos que se mostram mais sensíveis ao ciclo econômico mostraram um comportamento ainda mais favorável. O IPCA EX2, por exemplo, que reúne itens de serviços, alimentos e bens industriais que reagem mais à atividade, subiu apenas 0,17%, depois de aumentar 0,31% em setembro, segundo a MCM. No acumulado em 12 meses, a variação passou de 2,38% para 2,31%. O grupo de serviços também desacelerou significativamente, de 0,4% em setembro para 0,17% no mês passado. O acumulado em 12 meses perdeu força, de 3,22% para 3,02%, também nos cálculos da MCM.

O quadro inflacionário segue tranquilo. O IPCA "cheio" deve fechar o ano abaixo da meta de 4,5%, embora tenda a ficar relativamente próximo do alvo. Medidas de núcleo e de serviços indicam uma inflação comportada, num cenário marcado por uma recuperação da atividade que está longe de ser exuberante, com desemprego elevado. O BC parece ter espaço para manter a Selic nos atuais 6,5% ao ano por bastante tempo, ainda mais num quadro de câmbio menos pressionado.