Operadora está em desvantagem em relação às concorrentes

Publicado em 11/10/2017 por Valor Online

A Oi tem apresentado resultados operacionais inversos aos de suas concorrentes na maioria dos serviços prestados aos consumidores desde que entrou com pedido de recuperação judicial, em junho de 2016, até os últimos relatórios disponíveis pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), entre maio e agosto de 2017, dependendo do tipo de serviço. Telefonia fixa, banda larga fixa e serviços móveis entraram em declínio nas redes da empresa, enquanto suas principais rivais cresceram. O desempenho revela que o processo de recuperação judicial têm se refletido de forma negativa sobre os serviços da companhia e, principalmente, que a luta em várias frentes está drenando a atenção e os esforços que, numa situação normal, estariam concentrados apenas nos negócios. Com sua rede fixa presente em todo o país, seria esperado que a Oi também tivesse o maior número de clientes tanto de voz quanto de dados. Em junho de 2016, a tele tinha 14,55 milhões de linhas de telefonia fixa; em julho de 2017 chegou a 13,75 milhões, numa queda acumulada de 5,5% no período. Entre as demais concessionárias do serviço fixo, só a Telefônica, dona da marca Vivo, também recuou no período (3,9%), para 9,5 milhões de linhas. A Claro cresceu 10,4% (1,8 milhão de linhas), a Algar, 3% (752 mil), e a Sercomtel, 2% (175,6 mil). Já em banda larga fixa, em que a Oi poderia aproveitar sua presença nacional para engordar a carteira de clientes, a desaceleração foi constante ao longo do período, encerrando estável com 6,3 milhões de conexões em agosto de 2017. Todas as demais rivais cresceram. E como o serviço não é de concessão, o leque de operadoras com bom desempenho ampliou-se mais ainda. A TIM avançou 27,7%, seguida por Sky, (19,7%), Claro (5,12%), Algar (11,9%) e Telefônica (2,4%). Até a Sercomtel, que está sob ameaça de ter suas licenças cassadas pela Anatel, teve alta de 11,5%. A maior queda acumulada da Oi desde o pedido de recuperação judicial foi em serviços móveis, de 11,62% até agosto de 2017, para pouco mais de 42 milhões de clientes. O auge do declínio (7,13%) foi em dezembro de 2016, enquanto as rivais avançavam. O longo período também não foi bom para a TIM, que teve ligeira redução em 12 dos 13 meses, encerrando agosto em queda acumulada de 5,68%. A Sercomtel recuou 1,38%, a Algar ficou estável (0,32%) e a Telefônica contou com ligeira alta de 1,73%, mantendo a maior base, de 74,5 milhões de usuários. Em serviços móveis, a maioria das empresas passa por transformação. Tentam convencer os clientes pré-pagos a migrar para pós-pagos, de maior valor, e vender mais planos de dados. Além disso, as teles experimentaram declínio no número de clientes no celular quando decidiram eliminar os chips que não estavam em uso. Durante anos, a manutenção desses chips serviu para aumentar artificialmente o total de clientes, o que era útil para a estratégia de marketing. Mas como o imposto anual é pago por chip, com a piora da crise econômica esse artifício deixou de fazer sentido. A Telefônica foi a primeira a limpar sua base de chips inativos, seguida depois pelas concorrentes. Com isso, o número de clientes encolheu para todas. Em TV paga, a Oi cresceu 15% até maio de 2017, para 1,3 milhão de conexões. A Sky avançou 3%, Telefônica caiu 6% e Claro recuou 3%.