Pátria quer captar fundo de US$ 2,5 bi

Publicado em 06/12/2017 por Valor Online

A gestora Pátria Investimentos começou a apresentar a investidores planos de levantar um fundo de private equity de cerca de US$ 2,5 bilhões, segundo o Valor apurou. Se conseguir concretizar a captação, esse será o maior fundo de private equity já levantado para a compra de ativos na América Latina. Procurado pela reportagem, o Pátria não quis se manifestar sobre o assunto. Até agora, o posto de maior fundo para América Latina pertence à gestora americana Advent International, que concluiu em 2014 a captação de US$ 2,1 bilhões para a aquisição de empresas na região. A última captação de private equity do Pátria aconteceu em 2014, quando a gestora levantou US$ 1,8 bilhão para o fundo "V". Por enquanto, já mapeou oportunidades para aplicar cerca de 70% desses recursos. Isso não significa, porém, que a gestora já tenha efetivamente feito o desembolso desse dinheiro com aquisições. O Pátria considera que os recursos foram comprometidos a partir do momento em que define uma tese de investimento onde eles serão aplicados. A gestora é conhecida por atuar como um agente consolidador de setores pulverizados no país, um modelo não tão comum na indústria de private equity. Fez isso, por exemplo, ao criar a rede de diagnósticos médicos Dasa a partir da compra do Delboni Auriemo. E também com a Anhanguera Educacional, de ensino superior - hoje controlada pela Kroton. Entre os investimentos feitos pelo fundo V até agora estão a rede de clínicas de oftalmologia Hospital de Olhos do Brasil, a distribuidora de alimentos DFS e a cadeia de farmácias Independente, do Nordeste. Com o fundo VI, o Pátria deve buscar uma maior exposição a negócios fora do Brasil, na América Latina, uma estratégia que já vem ensaiando desde 2014. Isso deve ser feito tanto por meio da compra direta de ativos quanto pela internacionalização de companhias brasileiras. É algo que o Pátria já fez com a rede de academias Smart Fit, que tem unidades no México, na Colômbia, no Peru, no Chile e na República Dominicana, além do próprio Brasil. No México, por exemplo, a cadeia já tem 96 academias. Em setembro deste ano, a gestora comprou também a revenda de insumos agrícolas colombiana Grupo Gral. Além da maior diversificação geográfica, o Pátria deve buscar novos perfis de investidores para o fundo. Entre os objetivos da gestora está, por exemplo, atrair mais fundos de pensão brasileiros para o novo veículo de private equity. Desde 2010, o Pátria tem como sócio um dos maiores gestores de fundos de private equity do mundo, a Blackstone. Dona de 40% do Pátria, a gestora americana é uma placa importante para a captação de recursos de investidores no exterior. O Pátria não é o único fundo de private equity a iniciar captação neste ano. A despeito das incertezas que rondam o desempenho econômico do país, casas como Vinci Partners, Carlyle, Kinea e Bozano foram à rua levantar dinheiro para novos fundos com o objetivo de comprar empresas. O movimento coincide com a venda de ativos mais antigos que os fundos têm em carteira. Neste ano, as estreias em bolsa de Biotoscana, Omega e Camil permitiram que as gestoras Advent e Warburg Pincus reduzissem suas posições nas empresas.