Petrobras amplia para três as metas de novo plano

Publicado em 07/11/2018 por Valor Online

Petrobras amplia para três as metas de novo plano

Leo Pinheiro/Valor

Presidente Ivan Monteiro, ao lado da diretoria da estatal, divulgou lucro de R$ 6,64 bilhões no terceiro trimestre e destacou a redução do endividamento

Ao apresentar ao mercado um lucro líquido de R$ 6,64 bilhões no terceiro trimestre, número 25 vezes maior que o apurado em igual período de 2017, a Petrobras anunciou ontem também as linhas gerais do seu próximo plano de negócios 2019-2023, previsto para ser divulgado no início de dezembro. A ideia da companhia é aumentar para três o total de metas para os próximos anos e dar continuidade ao programa de venda de ativos, cuja meta de US$ 21 bilhões traçada para 2017/2018 não será mais atingida.

Agora, além dos compromissos de segurança operacional e de redução do nível de endividamento, a nova versão do plano deve contar também com uma métrica de retorno sobre o capital empregado. O novo objetivo balizará as decisões de investimento e também de venda de ativos.

"A companhia ainda precisa buscar uma otimização de sua estrutura de capital quando se compara com nossos competidores diretos globais. E provavelmente teremos uma terceira meta de topo, que é o retorno sobre capital empregado. [Essa meta] ajuda a gente na nossa gestão de disciplina de decisão de investimento", afirmou ontem o diretor financeiro e de relações com investidores, Rafael Grisolia, durante teleconferência com analistas sobre o resultados do terceiro trimestre.

A receita da estatal somou, no período, R$ 98,26 bilhões, alta de 37% frente a igual intervalo de 2017. Já o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado cresceu 55%, para R$ 29,8 bilhões. Com o resultado, a Petrobras anunciou a distribuição de R$ 1,3 bilhão sob a forma de juros sobre o capital próprio (JCP) aos acionistas.

Outra sinalização dada ontem pela empresa é que o novo plano de negócios terá uma disponibilidade de caixa maior do que a versão atual. O caixa da Petrobras no último dia 31 de outubro totalizava US$ 13,9 bilhões, frente a posição de US$ 24,1 bilhões registrada em 31 de janeiro. A empresa, contudo, tem US$ 5,9 bilhões em linhas de crédito disponíveis.

"Com relação ao plano que estamos terminando e vamos divulgar no início de dezembro, sim, pode esperar uma disponibilidade maior no caixa. Temos uma ascendência em termos de geração de caixa. A redução de custos, esse esforço vai continuar", disse o diretor de estratégia, Nelson Silva.

Segundo Grisolia, o valor previsto e não investido neste ano será realocado em 2019. "Não é capex que não vai ser investido. Tem alocações a serem feitas possivelmente para o próximo ano." A petroleira reduziu a previsão de investimentos para 2018, de US$ 15 bilhões para US$ 13 bilhões.

O novo plano também deve prever um aumento da participação do gás natural no mix de produção da empresa. "Provavelmente teremos de olhar outras alternativas, não exclusivamente no Brasil, em relação à cadeia integrada do gás", disse Silva, acrescentando que haverá também um tratamento para fontes renováveis de energia.

O diretor de refino e gás natural, Celestino Ramos, contou que a companhia continuará buscando parcerias para investimentos na área de refino. Ele destacou o recente acordo firmado com a CNPC para a retomada das obras da refinaria do Comperj, em Itaboraí (RJ). A Petrobras ficará com 80% do empreendimento e a chinesa, com os 20% restantes.

Sobre desinvestimentos, Grisolia explicou que os ativos incluídos no atual programa vão permanecer na nova versão do plano de negócios. A ideia é incluir no programa outros ativos que não tenham retorno sobre o capital empregado adequado.

"Vamos sempre privilegiar os investimentos com maior retorno sobre o capital e eventualmente continuar uma gestão de desinvestimentos com relação aos investimentos que não estão atrelados a nossa estratégia e tenham um retorno sobre capital menor", disse Grisolia.

A Petrobras admitiu oficialmente, pela primeira vez, que não atingirá a meta de venda de ativos para o biênio 2017/2018, de US$ 21 bilhões. Segundo o presidente da companhia, Ivan Monteiro, o principal motivo para não atingir a meta é a liminar do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede a venda de empresas controladas por estatais sem a aprovação do Legislativo. A decisão afeta diretamente as vendas da Transportadora Associada de Gás (TAG), da Araucária Nitrogenados, da unidade de fertilizantes UFN-III e de ativos de refino.

"Por conta daquela decisão judicial, não conseguiremos atingir a meta inicial [de desinvestimentos]", afirmou. De acordo com número apresentado ontem pela estatal, a previsão da companhia é fechar 2018 com pouco mais de um terço do objetivo inicial para o biênio: US$ 7,5 bilhões. Neste ano, já entraram no caixa da empresa US$ 5 bilhões em desinvestimentos. Segundo Monteiro, mais US$ 2 bilhões aproximadamente deverão entrar no caixa neste ano, relativos a venda de ativos.

Apesar de não atingir a meta, a companhia caminha para alcançar seu principal objetivo, de redução do nível de endividamento de 2,5 vezes a dívida líquida/Ebitda no fim deste ano. A empresa fechou o terceiro trimestre com uma alavancagem de 2,96 vezes.

A companhia também mantém o plano de produzir 2,1 milhão de barris diários neste ano, apesar de a média do volume produzido estar em 2 milhões de barris/dia até setembro. Segundo a diretora de exploração e produção da Petrobras, Solange Guedes, a produção da empresa está avançando em direção à meta. De acordo com ela, estão previstas paradas programas de plataformas no quatro trimestre, porém em proporção menor do que aquelas ocorridas no terceiro trimestre - que, por sua vez, foram o dobro das contabilizadas no segundo trimestre.

Com relação ao mercado de derivados, a Petrobras encerrou o terceiro trimestre com R$ 2,2 bilhões a receber dentro do programa de subvenção ao diesel. A companhia recebeu, no terceiro trimestre, outros R$ 1,6 bilhão referentes à segunda fase do programa. Segundo Grisolia, já existe um valor estimado de R$ 1 bilhão a receber para além dos R$ 2,2 bilhões em aberto no fim de setembro. A expectativa, porém, é que o ritmo de aprovação dos pagamentos, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), seja acelerado a partir de agora.

O programa de subsídios, de certa forma, contribuiu positivamente para o resultado do terceiro trimestre, que refletiu, entre outros fatores, as maiores margens de derivados no mercado interno e os ganhos em participação no mercado. O "market share" da empresa em vendas de gasolina e diesel alcançou 91% e 93%, respectivamente no fim de setembro. No fim de junho, esses números eram de 85% e 87%, respectivamente.