Petrobras lucra R$ 266 milhões no 3º trimestre, aquém do esperado

Publicado em 14/11/2017 por Valor Online

Companhia não garante voltar a distribuir dividendos neste ano, disse Pedro Parente, presidente da Petrobras Mais uma vez refletindo itens não recorrentes, o resultado da Petrobras veio abaixo da expectativa do mercado no terceiro trimestre do ano. O lucro de R$ 266 milhões ficou muito aquém dos R$ 2,7 bilhões previstos por analistas. Os principais culpados pelo resultado mais fraco da estatal foram contingências judiciais e a adesão da companhia ao programa de parcelamento de tributos, disse ontem Ivan Monteiro, diretor financeiro e de relações com investidores da estatal, que participou de uma entrevista coletiva para comentar os resultados. As perdas com os chamados "itens especiais" somaram R$ 3,35 bilhões no trimestre. Desse montante, R$ 1,06 bilhão se refere a "perdas com contingências judiciais", que não são detalhadas no balanço. Outro R$ 1,03 bilhão diz respeito à perda com programas de regularização de débitos federais, e R$ 751 milhões foram perdas com alienação e baixa de ativos. Questionado sobre as contingências judiciais, Monteiro disse que se trata de um conjunto grande de processos. "Isso é normalmente associado a algum julgamento, seja na esfera administrativa ou seja na esfera judicial. E temos uma comissão de avaliação. Ela olha a probabilidade de êxito incluída naquele processo. Se a decisão judicial ou administrativa faz com que a comissão altere essa probabilidade de êxito, a gente acaba tendo o respectivo impacto no resultado", explicou. Apesar do aumento, a cifra dos itens especiais é muito inferior aos R$ 20,21 bilhões em perdas apuradas no terceiro trimestre do ano passado, quando as baixas contábeis por reavaliação do valor do ativo (impairment) tinham somado R$ 15,7 bilhões. Para efeito de comparação, a Petrobras perdeu R$ 222 milhões em baixas por impairment entre julho e setembro deste ano, um valor "muito pequeno", segundo Ivan Monteiro. Ele acrescentou ainda que não é esperado um impairment significativo no quarto trimestre. "Retirando os efeitos não-recorrentes, nosso resultado não fica tão diferente do esperado pelo mercado", afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, que também participou da entrevista. Com os resultados pressionados por efeitos não recorrentes no segundo e no terceiro trimestre, a companhia acumula lucro de R$ 5 bilhões neste ano, ante prejuízo de R$ 17,3 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado. Mesmo com o lucro acumulado, Parente disse não poder garantir que a companhia voltará a pagar dividendos aos acionistas neste ano. "Gostaríamos muito, esperamos que seja em 2017, mas não podemos garantir", disse o executivo. A petrolífera não distribui proventos aos investidores desde 2013. Os pagamentos só voltarão a ocorrer se a companhia fechar o exercício completo no azul. No trimestre, a receita da Petrobras teve alta de 2%, para R$ 71,8 bilhões, e o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 13,6%, para R$ 19,2 bilhões. A geração de caixa operacional somou R$ 24,02 bilhões no período, queda de 10%. Ao fim do trimestre, a estatal tinha R$ 74,4 bilhões em caixa, ante R$ 72,6 bilhões. Segundo Ivan Monteiro, a companhia hoje tem caixa suficiente para ficar sem captar no mercado por três anos. Monteiro destacou ainda os esforços implementados para alongar o perfil da dívida. Ao todo, a Petrobras reduziu em 11% (ou US$ 3,4 bilhões), desde setembro, o tamanho da dívida a ser paga entre 2018 e 2020. Para este ano, Monteiro disse que não há previsão de que a companhia acesse o mercado de renda fixa. "Não há nenhuma perspectiva. O ano está acabando, a principio não [iremos ao mercado]", disse o executivo, em referência às expectativas de acesso da companhia ao mercado de renda fixa. Os esforços implementados já resultaram em uma significativa melhora no perfil da dívida da estatal. Ao fim de setembro, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda chegou a 3,16 vezes, abaixo das 3,54 vezes do fim de 2016. O endividamento líquido chegou a R$ 279,2 bilhões, queda de 5,45% ante a dívida apurada no mesmo intervalo do ano passado. Uma das medidas tomadas para melhorar o perfil financeiro da companhia é a redução dos investimentos. Monteiro disse que a companhia cortou, de US$ 17 bilhões para US$ 16 bilhões, a previsão de investimentos neste ano. A companhia deve divulgar uma revisão do plano de negócios quinquenal até o fim do ano. "Vocês não devem esperar uma revisão radical. São revisões pontuais", disse ontem Pedro Parente.