PIB alemão desacelera no primeiro trimestre

Publicado em 16/05/2018 por Valor Online

PIB alemão desacelera no primeiro trimestre

O crescimento econômico da Alemanha desacelerou para 0,3% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre do ano passado, segundo informou a Agência Federal de Estatística. Este foi o mais fraco desempenho desde o terceiro trimestre de 2016, quando o crescimento também foi de 0,3%.

Embora muitos economistas tenham atribuído essa desaceleração a fatores extraordinários como o clima ruim, outro relatório divulgado ontem apontou uma deterioração nas expectativas econômicas futuras para a Alemanha. O indicador de sentimento econômico do instituto Zew ficou inalterado em -8,2 em maio, menor leitura desde novembro de 2012.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI), na revisão trimestral da perspectiva para a zona do euro, alertou para uma série de ameaças ao crescimento na região, que inclui a nova coalização populista na Itália e o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). "Os riscos externos diante de toda a região derivam de um conjunto de vulnerabilidades financeiras, possíveis políticas protecionistas em termos globais e uma variedade de fatores não econômicos", disse o Fundo, que também citou "incertezas políticas relacionadas a governos recém eleitos em grandes países europeus".

Apesar do revés, o primeiro trimestre foi o 15ºtrimestre consecutivo de crescimento do PIB da Alemanha, a maior sequência positiva desde 1991. No quarto trimestre de 2017, a economia alemã havia registrado uma expansão de 0,6% sobre o trimestre imediatamente anterior, após um crescimento de 0,7% no terceiro trimestre.

A agência alemã disse que, embora os investimentos em construção e equipamentos tenham aumentado no primeiro trimestre, os gastos do governo foram menores, e as exportações e importações caíram. Isso se encaixa num padrão recente que mostra o crescimento da Alemanha sendo apoiado acima de tudo pela demanda doméstica.

O número do primeiro trimestre "provavelmente foi distorcido" pelo feriado antecipado da Páscoa, o inverno mais rigoroso e greves recém-encerradas, disse Carsten Brzeski, economista do ING-DiBa em Frankfurt. Ele disse que há sinais promissores de uma recuperação nos próximos meses.

"As incertezas e riscos de deterioração permanecem - derivados principalmente de uma possível escalada das atuais tensões comerciais -, mas há, em nossa visão, poucos motivos para duvidar da força da atual recuperação", disse Brzeski em uma nota de análise.

Martin Wansleben, executivo-chefe da Associação das Câmaras Alemãs de Comércio e Indústria, disse que "o começo do ano foi desapontador, mas não o começo do fim a recuperação". Ele chamou atenção para "uma série de fatores especiais" que também incluíram um grande surto de gripe.

A economia será estimulada pelo aumento dos gastos do governo em abonos de família e pensões nos próximos trimestres, segundo Jennifer McKeown, economista da Capital Economics para a Europa.

O crescimento dos grandes países exportadores deverá reagir, após a fraqueza no começo do ano, acrescentou ela, mantendo sua previsão de que a economia crescerá 2,5% este ano - em comparação aos 2,2% do ano passado.