Por ganho maior, gestores adquirem R$ 31,9 bilhões em dívida corporativa

Publicado em 11/10/2017 por DCI

11/10/2017 - 05h00

Por ganho maior, gestores adquirem R$ 31,9 bilhões em dívida corporativa

Índice de Debêntures de Infraestrutura da Anbima vinculadas ao IPCA mostrou valorização de 7,98% no ano até setembro, sem a cobrança da alíquota do imposto de renda para pessoas físicas

São Paulo - Os investidores institucionais (fundos de investimentos) aumentaram sua exposição em debêntures (títulos de dívida corporativa doméstica) para 65,7% entre janeiro a setembro de 2017, ante participação de 19,8% em igual período do ano passado.

Em números, os fundos adquiriram cerca de R$ 31,9 bilhões, de um total emitido de R$ 48,55 bilhões até setembro, de acordo com o boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), divulgado ontem. "Fundos de renda fixa e multimercados estão compondo mais as carteiras com crédito privado", respondeu ao DCI, o diretor da Anbima, José Eduardo Laloni.

O motivo para o maior interesse por debêntures é muito claro no mercado, o maior prêmio (ganho) pelo risco de crédito corporativo num momento de juros mais baixos em títulos públicos federais.

O índice de debêntures da Anbima referenciado na taxa de depósito interfinanceiro (IDA-DI) avançou 9,48% no ano até setembro, enquanto carteiras de títulos públicos vinculadas à taxa Selic tiveram retorno de 8,23% no período.

O responsável pela área de mercado de capitais da Anbima completou que as grandes fundações (fundos de pensão) também já estão se posicionando em títulos de dívida corporativa, mas em menor grau que os fundos. "Uma movimentação maior [das entidades] pode ocorrer em 2018", apontou Laloni.

Em coletiva à imprensa, o diretor da Anbima também mostrou o aumento da participação da pessoa física em debêntures de infraestrutura para 38,2% do volume emitido, ou R$ 1,83 bilhão até setembro. Em igual relação com o ano passado, a participação de pessoas físicas nesses títulos incentivados com a isenção do imposto de renda era de 25,4% do volume, equivalente a R$ 456,5 milhões. "O número de ofertas também aumentou de 10 para 21 na mesma comparação, quase superando as 22 emissões em todo o ano passado", enumerou Laloni.

Quanto à rentabilidade, o índice IDA-IPCA Infraestrutura - que avalia o desempenho das debêntures de infraestrutura indexadas ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo - mostrou valorização de 9,48% no ano até setembro, e de 13,73% em 12 meses, sem a cobrança do imposto de renda para pessoas físicas e estrangeiros.

Como referência, a inflação oficial acumulada ficou em 1,78% até setembro, e em 2,54% nos últimos 12 meses, sinal de que apesar da rara liquidez, os investidores pessoas físicas tiveram ganhos reais expressivos em debêntures.

"Juro baixo e inflação muito comportada abrem uma perspectiva de alongamento, saindo de títulos de curto prazo", aponta o diretor da Anbima.

Captações em alta

O mercado de capitais - doméstico e externo - cresceu 32% para R$ 176,3 bilhões emitidos no ano até setembro, ante R$ 133,75 bilhões em igual comparação com 2016.

O volume em ações alcançou R$ 26,888 bilhões e há mais três ofertas em análise na Comissão de Valores mobiliários (CVM). As captações em bônus (bonds) emitidos no exterior somaram US$ 21 bilhões ou R$ 63,12 bilhões no ano.

Ernani Fagundes

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