Preço bem abaixo do sistema paranaense é a chave do sucesso do pedágio federal

Publicado em 11/10/2017 por Gazeta do Povo

Nem adianta tentar explicar que a maior parte das rodovias já estava duplicada ou que o fluxo de veículos é muito maior - e que, portanto, a divisão da conta é feita entre mais motoristas. Basta uma comparação rápida entre as tarifas praticadas nos pedágios do sistema paranaense e das concessões federais para deixar evidente a disparidade de valores. Enquanto que no Anel de Integração o preço médio é de R$ 12 por eixo de veículo a cada 100 quilômetros, o usuário vai desembolsar R$ 3, em média, pela mesma distância percorrida na BR-116 e na descida para Santa Catarina, pelas BRs 376 e 101.

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Esse comparativo se estendeu pelos últimos dez anos, desde o dia 9 de outubro de 2007, quando foram anunciadas as tarifas que seriam cobradas na segunda geração de concessões federais, em rodovias que cortam o Paraná. A discussão em torno do pedágio, que já era inflamada, ganhou novos elementos. De nada adiantou mostrar que os contratos do Anel de Integração foram feitos 10 anos antes, quando o momento econômico era muito diferente, com inflação mais alta e dificuldade maior de conseguir investimentos.

"A maior parte dos usuários são ou paranaenses ou que percorrem longas distâncias. Esses dois públicos têm uma noção dos preços praticados em outros lugares. A comparação é inevitável", comenta Paulo Mendes Castro, superintendente da Autopista Litoral Sul, responsável por administrar o trecho entre Curitiba e Florianópolis. O comparativo aparece também, segundo Castro, nas pesquisas de percepção feitas com usuários das rodovias. Ele conta que, no início da concessão, houve uma resistência inicial dos catarinenses, não acostumados a pagar pedágio.

João Arthur Mohr, consultor de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), concorda que o fator preço foi decisivo para o sucesso dos contratos federais. "A percepção geral é de que foi um bom negócio", diz, destacando que os motoristas têm a sensação de que recebem o mínimo esperado de estrutura, como guincho e atendimento médico, por um valor justo e compatível com as condições da rodovia.

Preços

Na época da licitação, a cobrança para veículos de passeio ficou em R$ 1,03 na ligação entre Curitiba e Florianópolis, em R$ 1,36 no trajeto entre Curitiba e São Paulo, e em R$ 2,54 no percurso entre Curitiba e Lages (SC). De lá para cá, os preços aumentaram bastante - mais de 100%. Hoje são, respectivamente, R$ 2,60, R$ 3 e R$ 5,60.