Com Previdência, Ibovespa pode superar 78 mil pontos

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

O Ibovespa continua reagindo ao vaivém do noticiário sobre as negociações em torno da reforma da Previdência, mantendo um tom de cautela, sem escapar da margem dos 71 mil pontos aos 74 mil pontos. Mas, na visão de gestores e estrategistas ouvidos pelo Valor, a definição sobre a viabilidade ou não da aprovação do projeto que altera as regras da aposentadoria ainda este ano tem potencial para provocar ajustes importantes, para cima ou para baixo, nos preços das ações. Caso a reforma da Previdência não se concretize este ano, o Ibovespa pode cair para baixo dos 70 mil pontos, podendo atingir até 65 mil pontos, na visão mais pessimista. Aos preços de ontem, isso significaria uma queda de até 11% do índice, que terminou o pregão valendo 73.268 pontos, com valorização de 1%. A maior parte das estimativas, no entanto, situa-se ao redor dos 69 mil pontos, uma queda potencial de cerca de 5%. Já se o projeto for aprovado em primeiro turno na Câmara, o índice pode superar os 77 mil pontos e até mesmo renovar as máximas recentes, na casa dos 78 mil pontos, uma alta superior a 9%. "Muitos analistas viam nos 70.500 pontos um suporte importante por consenso de mercado, mas vejo níveis abaixo disso factíveis sem uma aprovação da reforma", diz Fernando Barroso, chefe de produtos estruturados da CM Capital Markets. Para o estrategista-chefe da XP Investimentos, Celson Plácido, a probabilidade de a reforma ser aprovada está hoje entre 20% e 30%, o que significa que a frustração tende a ter um impacto mais brando do que a aprovação do projeto. Diante dessa dúvida, ele diz que o mercado já tem operado "mais leve", ou seja, evita montar posições compradas ou ainda faz algum tipo de proteção usando os contratos de Ibovespa futuro. "Ninguém quer se posicionar nesse ambiente." Plácido observa que, caso a reforma da Previdência não seja aprovada, a bolsa pode demorar algum tempo para se recuperar, porque o investidor deve se voltar para a discussão da eleição. "Sem reforma, a preocupação com eleição tenderá a ter um peso maior sobre a bolsa do que as notícias sobre a economia, inclusive a queda do juros", disse. Para Paulo Clini, diretor de investimentos da Western Asset, o mercado está, de fato, mais cético sobre a reforma, mas não descarta completamente sua aprovação. Isso confirma a expectativa de que, caso a derrota do governo nessa empreitada se concretize, deve haver uma reação negativa dos preços. "Mas o 'upside' da bolsa tende a ser maior", diz. Ele diz que há pesquisas informais que mostram que, para a maioria do mercado, a chance de haver reforma da Previdência é inferior a 50%. Caso o projeto não vá a votação ou não seja aprovado, Clini acredita que o mercado passará por um período negativo, mas rapidamente voltará a ser influenciado pelo noticiário sobre eleição e também pelo cenário global. "A pergunta que o investidor de longo prazo está se fazendo hoje é: se não for aprovada a reforma este ano, ela será enterrada? E hoje você não consegue afirmar que sim", explica. "Além disso, não é impossível que, se o cenário global continuar construtivo, o 'downside' de uma não aprovação da reforma seja reduzido", afirma. Já Renato Ometto, sócio da Mauá Capital, vê um potencial ainda maior de impacto do advento da reforma da Previdência. Para ele, caso o projeto não seja aprovado nem mesmo em uma primeira votação na Câmara este ano, o Ibovespa pode recuar ao nível dos 65.000 pontos. De outro lado, a vitória do governo sobre esse tema poderia levar o índice para perto dos 80 mil pontos, afirma. Eduardo Cavalheiro, gestor da Rio Verde Investimentos, acredita que, com a reforma, o Ibovespa pode retomar os 78 mil pontos. "Passando a reforma, portanto, poderíamos ver um novo repique. Mas trabalho com um cenário de mercado em ponto morto até a eleição caso a reforma não venha, a depender de qual panorama as candidaturas traçarem", diz. "Mantido tudo tranquilo fora do Brasil, porém, o mercado poderia até ter um fechamento de ano melhor se a reforma passar."