Projetos de eficiência energética reduzem custos e promovem sustentabilidade

Publicado em 13/06/2018 por Diário do Sudoeste

Em pleno século 21, não há como promover o desenvolvimento, seja nas mais diversas áreas, se não houver comprometimento com a sustentabilidade. De olho nessa realidade, universidades, empresas e comunidade procuram métodos que associem qualidade de vida com preservação ambiental. Em Pato Branco, há pelo menos dois bons exemplos de projetos voltados à eficiência energética, ou seja, atividades que procuram melhorar o uso das fontes de energia.

Em 2017, a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), participou da chamada pública direcionada ao “Projeto Prioritário de Eficiência Energética e Estratégico de P&D” e teve sua proposta habilitada. A partir disso, a universidade passa a implantar o projeto de eficiência energética aprovado pela Copel/Aneel.

Na prática, segundo professor Jean-Marc Stephane Lafay, coordenador do projeto, o mesmo prevê a implantação de duas ações de eficiência energética, são elas: substituição das lâmpadas atuais por lâmpadas mais eficientes que utilizam tecnologia LED (Selo Procel – quando disponível) e instalação de um sistema de minigeração fotovoltaica de 377,8 kWp como fonte incentivada. “Serão aproximadamente oito mil lâmpadas e 1.426 painéis fotovoltaicos. Teríamos uma autonomia de energia e financeiro”. O grande objetivo é reduzir custos energéticos.

De acordo com o coordenador, as análises dos efeitos causados pelas ações na rede elétrica, bem como na qualidade de energia, são previstas por medição e verificação. “Para a iluminação, será executada em dois momentos distintos, sendo linha de base, antes da substituição das lâmpadas e luminárias e no período de determinação da economia, após a troca das luzes. Para a fonte incentivada deverá ser efetuada a medição e verificação apenas no período da contenção”, explicou.

Ainda, de acordo com o coordenador, será implantado um sistema de gestão energética, nos moldes da norma ISO 50.001, criando uma política de conversação de energia com comprometimento da direção da UTFPR. “A equipe de gestão energética também poderá difundir o conhecimento e metodologia para outro campus, de forma que os mesmos criem seu sistema tomando como base o campus de Pato Branco. Foram incluídos analisadores de qualidade de energia nas quatro subestações do campus, incluído no projeto de forma a instalar um sistema de balanço energético, com acompanhamento de resultados das ações de eficiência.”

Por se tratar de uma universidade pública, professor Lafay reforça ainda o grande papel social. “Com esse sistema de gestão de energia implantado aqui, para a comunidade local e regional, será um elemento de difusão dessa tecnologia”. Estão previstas ações de treinamento e capacitação, que serão desenvolvidas na Semana Acadêmica de um dos cursos ofertados pela UTFPR. O objetivo é disseminar os conceitos de eficiência energética, abrangendo, pelo menos, 10% da população do campus – em 21 de maio já aconteceu o primeiro treinamento, atingindo 125 pessoas.

Solar Fadep reforça conhecimento acadêmico

Na Fadep (Faculdade de Pato Branco), professor Ricardo Bertoncello, coordenador do curso de Engenharia Elétrica – e coordenador interino de Engenharia Mecânica – iniciou o projeto voltado à eficiência energética em 2014. Primeiro, a ideia era inserir as discussões do tema nas disciplinas de Geração de Energia e Fontes Alternativas. Em 2016, surgiu a possibilidade de implantar na prática o aprendizado, por meio da parceria com a empresa Panam Energy, do Rio Grande do Sul.

Na Fadep, as nove placas solares foram instaladas no pátio, justamente para ficarem à mostra e chamarem a atenção para o conhecimento e importância da geração de energia sustentável

Em sistema de comodato, a empresa instalou um sistema de nove placas – o que equivale a 2,34 kW de potência – e um inversor de 2,3 kW. Sem nenhum custo à faculdade, o objetivo do chamado “Solar Fadep” é servir de método de ensino aos acadêmicos.

Como o sistema de apresenta hoje, não visa compensar nenhuma energia ou ainda tornar a faculdade autossustentável. A função é exclusivamente acadêmica. “É um sistema que possibilita que os alunos possam desenvolver projetos. Um deles, por meio de sensores de luminosidade, permite que os estudantes comparem a incidência de sol com a geração, calculando a eficiência energética.”

Para Bertoncello, não há diferença na fatura para a faculdade, mas a quantidade de geração de energia solar, mesmo que pequena, deixa de emitir gases de efeito estufa, e este exemplo deve ser seguido pelos novos profissionais.

“O sistema que temos hoje na Fadep seria o suficiente para quase zerar a fatura em uma residência de até quatro moradores. O grande ganho disso, a meu ver, é do ponto de vista de pesquisa, além, é claro, de fomentar a educação ecológica.”

Propositalmente, as placas na Fadep foram instaladas no meio de dois blocos, no pátio; local em que os alunos e visitantes têm acesso. “No começo surgiram questionamentos de como o sistema gerava energia, e muitos alunos pediram informações sobre a instalação. A geração de energia por fontes não poluentes faz parte da realidade e é o futuro, sem dúvida”, declarou o coordenador.