Propostas de Trump para mudar o Nafta voltam a ser negociadas

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

México, Canadá e Estados Unidos voltam à mesa de negociações para discutir mudanças propostas pelo governo Trump para o Nafta, acordo de livre comércio que une os três países há 23 anos. Mais da metade das 700 páginas do acordo já foram revisadas desde agosto, sem grandes conflitos. Mas há três pontos em que os mexicanos discordam dos EUA: como e onde as empresas devem resolver conflitos, o percentual de conteúdo local dos automóveis e a taxação de produtos agrícolas na safra. "Acreditamos que o Nafta será mantido, mas há propostas dos EUA que não podem sequer ser trabalhadas", diz Fernando Ruiz Uribe, diretor do Comce, associação que reúne empresas exportadoras e importadoras no México. O governo Trump propõe que o mecanismo de solução de controvérsias seja substituído por tribunais de Justiça nos EUA. "Isso judicializa os negócios. E se isso for aprovado, vamos perder todas as ações", diz Ruiz. O mecanismo atual estabelece que, quando há um conflito, se cria um painel com representantes dos lados interessados e a decisão do painel não pode ser contestada. O Canadá concorda com os mexicanos. Os EUA também estão propondo que um automóvel, para ser considerado do Nafta e, portanto, ser comercializado com alíquota zero, precisa ter 85% de conteúdo local. Hoje, é de 62,5%, a mais alta taxa de qualquer acordo automotivo no mundo, diz o diretor do Comce. "Os EUA querem que 50% disso seja de conteúdo americano", diz. Mexicanos e canadenses não aceitam a proposta e esperam que o setor automotivo americano, que também não gostou da ideia, possa pressionar o governo Trump para que a negociação seja destravada nesse ponto. Washington já teria flexibilizado, por exemplo, a cláusula que ficou conhecida como "cláusula do pôr do sol". A oferta inicial embutia o risco de o acordo acabar, a cada cinco anos, a não ser que os três países decidissem o contrário. A "morte automática" teria saído da mesa de negociações, mas o acordo seria revisado, ou modernizado, como preferem os mexicanos, a cada cinco anos. No setor agrícola, os EUA colocaram na mesa uma proposta ambiciosa: em épocas de safra nos EUA, os produtos agrícolas importados do Canadá e do México perderiam o benefício da tarifa zero. Isso preocupa pois, com os avanços da tecnologia, os períodos de safra estão cada vez maiores, observa Ruiz. Canadá e México estão alinhados contra essa proposta.