Proteção para pagamento à Fibria afeta balanço trimestral da Suzano

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

Proteção para pagamento à Fibria afeta balanço trimestral da Suzano

SÃO PAULO  -  A preparação para o pagamento aos acionistas da Fibria, em preparação à combinação de seus negócios, já começa a aparecer no balanço da Suzano. O principal ponto de pressão nos resultados do segundo trimestre, de R$ 2,55 bilhões em perdas com derivativos, teve uma parcela de R$ 1,75 bilhão só de proteção financeira para o pagamento de R$ 29,73 bilhões a ser feito para os acionistas da Fibria, considerando a correção pelo CDI.

De acordo com o diretor financeiro e de relações com investimentos da Suzano, Marcelo Bacci, ao longo do segundo trimestre se iniciou a contratação de “hedge” para a dívida assumida com este fim. A companhia tem utilizado diferentes instrumentos disponíveis no mercado e, no fim de junho, 74% dos R$ 29,571 bilhões que serão pagos aos acionistas da Fibria tinham “hedge”, ou US$ 6,05 bilhões. Em julho, esse percentual subiu a 81%.

O aumento dessa posição, explicou o executivo, em um momento de forte desvalorização cambial levou ao resultado negativo de R$ 2,55 bilhões com derivativos, que aumentou as despesas financeiras líquidas no trimestre. Além das perdas com o “hedge”, o impacto negativo de R$ 1,14 bilhão com variação cambial e monetária pesou sobre a última linha da companhia. De abril a junho, a Suzano registrou prejuízo líquido de R$ 1,85 bilhão, contra ganho de R$ 199 milhões um ano antes. 

 

No lado operacional, contudo, o resultado melhorou consideravelmente. A receita líquida cresceu 26,6%, em comparação anual, para R$ 3,2 bilhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado subiu 36%, para R$ 1,57 bilhão, um recorde para a companhia.

O prejuízo líquido de R$ 1,85 bilhão registrado pela Suzano Papel e Celulose no segundo trimestre veio bem acima do que era esperado por analistas cujas estimativas foram compiladas pelo Valor. A pior previsão era de perda líquida de R$ 538 milhões. Para a última linha do balanço, enquanto Itaú BBA, Santander, BTG Pactual e XP Investimentos esperavam perda líquida de R$ 40 milhões a R$ 538 milhões, o BB Investimentos projetava lucro líquido de R$ 527 milhões.

Já a receita líquida trimestral de R$ 3,204 bilhões, veio em linha com os R$ 3,14 bilhões estimados pelos analistas. O Ebitda ajustado, de R$ 1,57 bilhão, também ficou dentro do que era esperado (R$ 1,65 bilhão).

O diretor-executivo da área de papel, Leonardo Grimaldi, contou em teleconferência que a estratégia comercial adotada em junho, após a greve dos caminhoneiros, para a venda de papéis compensou os efeitos da paralisação. “Foi um trimestre positivo, apesar dos desafios e a forte estratégia comercial em junho compensou o efeito de maio”, disse.

O executivo afirmou ainda que a Suzano conseguiu aplicar aumentos de preço nos últimos meses e está anunciado nova rodada de reajustes, de 9% a 14%, que serão aplicados no segundo semestre. De abril a junho, o preço líquido médio do papel vendido pela companhia no mercado interno foi de R$ 3.755 por tonelada, alta de 12,4% na comparação com o primeiro trimestre e de 18,7% na comparação anual.