Receita da Principal no primeiro ano de atuação é de R$ 1,5 bi

Publicado em 12/01/2018 por Valor Online

Agapito, da Principal: "Compramos dos que estavam descontratados e vencemos para os hidráulicos para cobrir o GSF" A Principal Energia, comercializadora lançada no fim de 2016 pelo grupo Delta Energia, fechou seu primeiro ano de atuação com faturamento de cerca de R$ 1,5 bilhão, três vezes a meta inicial da companhia. Ao longo de 2017, a empresa negociou, em média, 700 megawatts (MW) em contratos por mês. Em entrevista ao Valor em dezembro de 2016, o chefe da mesa de operações da comercializadora, Cassiano Agapito, havia afirmado que a Principal Energia tinha como meta chegar a um volume de 500 MW médios por mês negociados no ano, com faturamento de R$ 500 milhões. "Se em termos de volume ficamos quase 50% acima da meta, o preço médio foi melhor ainda. Esperávamos algo na faixa de R$ 200 por megawatt-hora (MWh), mas tivemos uma média de R$ 400/MWh", disse Agapito, sobre o desempenho de 2017. A comercializadora foi lançada pela Delta em parceria com Agapito e outros sócios a fim de oferecer produtos diferenciados e sob medida aos clientes. A empresa faz, por exemplo, contratos de swap e opções, além de operações de sazonalização. A estratégia da Principal encontrou um espaço considerável no mercado, favorecida pela grande volatilidade dos preços de energia no ano passado, devido à hidrologia irregular. Além disso, houve um fluxo de energia vinda do mercado regulado (das distribuidoras) para o livre, por meio das operações do Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD). Sobrecontratadas, as concessionárias de energia venderam contratos, que foram comprados pelas comercializadoras. "Por conta do baixo crescimento do país, havia muita sobra contratual de energia. A presença dos MCSDs favoreceu muito o mercado livre", disse Marconi de Araújo, presidente da Principal. Isso permitiu a migração da liquidez do mercado regulado para este ambiente de contratação. Segundo Agapito, 2017 foi um ano "atípico" nesse ponto, pelo grande aumento da liquidez. "Nossa visão é que foi um ano tão bom que se for repetido já será uma grande vitória", afirmou. Ainda que a tendência para 2018 seja de manutenção para o setor, a companhia deve apresentar melhora Outro problema relacionado à seca no ano passado foi o crescente déficit das hidrelétricas (medido pelor GSF, sigla em inglês para fator de ajuste de geração), que acontece quando as usinas precisam gerar menos que suas garantias físicas para preservar os níveis dos reservatórios. "O grande comprador da nossa energia foi o gerador hídrico. Compramos dos que estavam descontratados e vencemos para os hidráulicos que precisavam cobrir o buraco do GSF", disse Agapito. Ainda que a tendência para 2018 seja de manutenção, o resultado da companhia deve apresentar melhora. Isso porque a comercializadora foi crescendo ao longo do ano e conquistando mais clientes e contratos. No início de 2017, o volume médio de energia negociado pela Principal era de 100 MW por mês. "No último trimestre, operamos 1,1 GW mensalmente", disse Agapito. Dos mais de 4 mil agentes habilitados na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a comercializadora tinha foco nos 300 maiores. Desses, tinham como prioritários cerca de 180. "Fizemos negócios com 170 clientes desta lista, praticamente com os prioritários", afirmou. "Esperamos também que o mercado volte a crescer em 2018, com uma recuperação tímida da indústria", disse Araújo. Isso pode demandar ainda mais negócios no mercado livre de energia. O desempenho da companhia no ano passado já resultou em sua primeira mudança societária. O grupo Delta Energia, que atua em comercialização de energia de 2001, entrou com um capital inicial de R$ 20 milhões no negócio e uma participação de 75%. Os demais 25% estavam divididos, inicialmente, entre Agapito e outros três sócios que, assim como ele, vieram da área de comercialização do BTG Pactual: Jayme Abras Neto, Vitor Pontes e Marcelo Ambra. Segundo Agapito, os sócios já exerceram a primeira opção que tinham como minoritários, e subiram sua fatia total para 30% da comercializadora. "A primeira meta tinha um prazo de três anos e já atingimos. Agora, estamos em busca da segunda", afirmou.