Reclassificação de ações em NY gera ajustes em ETFs

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

A partir do ano que vem, algumas companhias listadas na bolsa de Nova York deixarão de integrar o setor de tecnologia como parte de uma mudança na forma como Wall Street classifica as empresas. A alteração vai exigir um rebalanceamento no mercado bilionário de ETFs, os fundos que replicam índices listados em bolsa. O Credit Suisse estima que 26 ETFs, com US$ 60 bilhões sob gestão, são os potenciais afetados. As mudanças vão ter um impacto em diversos ETFs que replicam a mesma formação e proporção desses segmentos. Isso vai exigir que fundos que acompanham o setor de tecnologia, por exemplo, tenham de liquidar a participação nas empresas que forem movidas para outro setor, ao mesmo tempo que deverão comprar papéis de outras que entrarem em seu segmento. Facebook, Alphabet (holding que controla o Google) e Netflix são provavelmente as ações de maior valor que vão migrar para um renovado setor de telecomunicações. Esse novo agrupamento deve ser nomeado como "serviços de comunicação" e pode abrigar cerca de 20% das companhias hoje enquadradas como tecnológicas ou de consumo discricionário, incluindo empresas tradicionais de mídia e de internet, como redes sociais e mecanismos de busca. Já as empresas que atuam como "marketplaces" - sites que comercializam produtos de várias empresas - sairão do grupo de tecnologia para o de consumo discricionário. Ao mesmo tempo, o vaivém entre os segmentos vai mudar os pesos de companhias nos fundos. ETFs como o de consumo discricionáro (Consumer Discretionary Select Sector), com valor de US$ 13 bilhões, por exemplo, deve perder Comcast e Disney, o que vai elevar a participação da Amazon em sua composição de 17% para 22%. Já o ETF de tecnologia (Technology Select Sector) pode perder Facebook e Alphabet, aumentando o peso de Apple e Microsoft para 21% e 14%, de 15% e 11%, respectivamente. A nova divisão foi anunciada em novembro por MSCI e S&P Dow Jones, duas empresas especializadas na formatação de índices para o mercado financeiro. Outra rodada de alterações realizada no ano passado introduziu o setor imobiliário, extraindo empresas antes incluídas no setor financeiro. Mudanças desse tipo poderão levar a uma volatilidade de curto prazo nas ações, embora MSCI e S&P Dow Jones planejem fazer o anúncio da lista preliminar das ações mais impactadas em janeiro, com expectativa de divulgação da lista final em agosto e implementação em setembro. Até lá, é possível que boa parte das alterações já esteja precificada nas ações que serão afetadas. (Com agências internacionais)