S&P;: 32 empresas devem ser rebaixadas após corte de nota do Brasil

Publicado em 12/01/2018 por Valor Online

SÃO PAULO - Um grupo de 32 empresas deve ter seus ratings revisados para baixo pela Standard & Poor's (S&P), depois de a agência de classificação de risco ter rebaixado na quinta-feira a nota do Brasil de BB para BB-, com perspectiva estável. A situação é comum quando o rating de um país é alterado. Como algumas empresas concentram suas operações e ativos no Brasil, a nota soberana acaba funcionando como um espécie de "teto" para os ratings destas instituições. Em maio, quando a S&P colocou a nota do Brasil em observação de crédito com implicações negativas, a agência divulgou uma lista de empresas cujos ratings estão limitados no nível da nota do país. São companhias avaliadas em "BB" na escala global, com perspectiva negativa, refletindo a pressão de um potencial rebaixamento do rating brasileiro. Estão nesta situação 32 empresas e suas subsidiárias, como Camil, Cosan (incluindo a Rumo), Cyrela, Magazine Luiza, CPFL e CCR. A Eletrobras e a Itaipu Binacional estão limitadas pelo rating soberano, dado que são estatais. "Incluímos neste grupo a maioria das empresas com bases de ativos localizadas primordialmente no Brasil, cujas receitas dependem quase que totalmente da economia doméstica e que têm exposição significativa ao setor bancário brasileiro, o que pode afetar a liquidez dessas empresas e, em última instância, a capacidade de pagamento delas em um cenário de estresse do governo soberano", disse a S&P na ocasião. Um segundo grupo, formado por 12 empresas, apresentam sensibilidade à nota soberana brasileira, dada sua exposição à economia, mas, como possuem capacidade financeira sólida, ativos internacionais ou suas atividades são voltadas à exportação, estão menos suscetíveis à decisão. Elas podem ser avaliadas acima do rating soberano, dependendo da força dos pontos positivos. Estão nesta lista, Braskem, Gerdau, Iguatemi, Localiza, Lojas Renner e Telefônica. A AmBev e a Embraer podem ter seus ratings pressionados, mas a escala geográfica da primeira e o foco nas exportações da segunda atenuam os efeitos da revisão. De acordo com a agência, elas podem ser avaliadas em até quatro degraus acima do rating soberano. Já um grupo de 11 companhias, que inclui Vale, BRF e Fibria, não deve ter suas notas rebaixadas imediatamente após a revisão da nota do Brasil, por, segundo a S&P, possuírem uma "certa folga", de um a três degraus, nos limites estabelecidos pelos ratings soberanos. Em agosto, quando os ratings de crédito do Brasil foram removidos da observação de crédito negativa, a S&P realizou a mesma ação em entidades corporativas e de infraestrutura, mas alertou que elas permanecem limitadas pela nota do país.