Seleção não joga no Brasil, mas ainda rende R$ 66 milhões a clubes do país

Publicado em 13/06/2018 por Bem Paraná

Folhapress

SOCHI, RÚSSIA (UOL/FOLHAPRESS) - Cada vez mais distante dos times brasileiros, a seleção tem apenas Cássio, Fagner e Geromel como representantes do mercado nacional. Ainda assim, mesmo com quase 90% de sua formação oriunda do exterior, o elenco de Tite rende milhões aos clubes do país.

Nos últimos anos, mais de R$ 66 milhões foram distribuídos no futebol nacional graças ao mecanismo de solidariedade da Fifa em transações envolvendo os principais nomes da seleção.

O dispositivo da entidade internacional permite que até 5% do valor total das negociações seja dividido proporcionalmente aos clubes que formaram cada atleta até os 23 anos.

Neymar, claro, puxa a fila da arrecadação aos clubes. A venda do craque ao Paris Saint-Germain, por mais de R$ 820 milhões, rendeu cerca de R$ 34 milhões ao Santos, formador do atacante.

Segunda transferência mais cara entre os brasileiros nos últimos tempos, Philippe Coutinho fez com que o Vasco, seu clube de origem, tivesse direito a mais de R$ 15 milhões pelo mecanismo da Fifa. O meia trocou o Liverpool pelo Barcelona por mais de R$ 630 milhões. Ao contrário do caso de Neymar e Santos, o clube carioca teve apenas 2,5% do valor da transação, uma vez que Coutinho deixou São Januário com 18 anos.

“Todo mundo fica feliz com isso. Fico satisfeito em poder ajudar o Vasco, um clube que tenho no coração no Brasil”, comentou Coutinho, ao fechar sua transferência para a Espanha. Com a verba, o clube do Rio quitou parte dos salários atrasados.

Na última semana, ao assinar com o Manchester United, Fred injetou R$ 4 milhões nos cofres do Atlético-MG e mais quatro na conta do Internacional. Os dois times dividiram sua formação no Brasil.

Paulinho, comprado pelo Barcelona por R$ 40 milhões em 2017, fez a alegria de Audax, Corinthians, Bragantino e Juventus. O primeiro clube recebeu R$ 2,4 milhões, enquanto o time do Parque São Jorge abocanhou R$ 1,2 milhão. As outras equipes dividiram um montante de R$ 900 mil.

Um pouco mais antiga, mas não menos importante no cenário financeiro brasileiro, a saída de Roberto Firmino do Hoffenheim, da Alemanha, para o Liverpool, por R$ 140 milhões, também injetou grana no mercado nacional., especialmente em times menores. O Figueirense ficou com R$ 1,8 milhão, enquanto o CRB, de Alagoas, recebeu R$ 1,1 milhão.

Éderson, que trocou o Benfica pelo Manchester City por R$ 145 milhões, rendeu dividendos ao São Paulo. O clube do Morumbi teria direito a aproximadamente R$ 1,7 milhão do atleta, mas acabou recebendo, por acordo, R$ 453 mil, segundo dados do balanço financeiro do clube.

MAIS DINHEIRO

Outro goleiro pode engrossar a lista. Pretendido por Real Madrid e Liverpool na próxima janela de meio do ano, o goleiro Alisson terá 5% de sua venda repassada ao Internacional, clube que o formou integralmente.

Em alta e com clubes dispostos a pagar até R$ 200 milhões por seus direitos econômicos, o titular da seleção pode subir em até R$ 10 milhões a soma do valor gerado pelos craques da seleção brasileira aos times do país recentemente.

Um dos favoritos para vencer a Copa do Mundo, o time de Tite ainda registra uma tendência de valorização a outros nomes durante o torneio. E, mesmo longe do Brasil, continuar ajudando os clubes locais.