Sem Itambé, suprimento de leite pode ser desafio para a mexicana Lala

Publicado em 07/12/2017 por Valor Online

"Os primeiros dias da Lala no Brasil tornam-se cada vez mais desafiadores". Esse é o título de relatório divulgado ontem pelo banco Credit Suisse, com análise sobre os efeitos da venda da Itambé Alimentos para a francesa Lactalis para a mexicana Lala. Na terça-feira, a Lactalis anunciou a aquisição de 100% das ações da Itambé, da Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR), que havia acabado de retomar o controle da Itambé. A operação - estimada em R$ 1,9 bilhão, segundo fontes - envolveu também acordo de fornecimento de leite de longo prazo da CCPR para a Itambé. Segundo os analistas do Credit, a venda da Itambé para a francesa Lactalis é negativa para empresa mexicana, que adquiriu a Vigor em agosto passado. Eles destacam, no relatório, que a compra da Itambé fará da Lactalis a maior player no mercado de lácteos do Brasil, com 14,5% de market share, seguida por Nestlé (13,3%) e Danone (8,1%). Antes do negócio, a Lactalis era a segunda em market share, com 8%, considerando dados de 2016. O relatório também cita que, juntas, Lactalis e Itambé serão líderes na captação de leite no campo, com cerca de 2,7 bilhões de litros por ano, superando a Nestlé, que foi a primeira do ranking em 2016, com 1,690 bilhão de litros. Com a aquisição da Itambé, observam os analistas, a Lactalis vai expandir sua rede de fornecedores de leite exatamente nas áreas em que a Vigor opera, principalmente no Sudeste. A questão, indagam, é se isso tornará o abastecimento de leite um desafio para a Lala, uma vez que a melhora de produtividade dos associados da CCPR e a garantia de fornecimento de leite seriam uma vantagem competitiva para a Lactalis. Afora isso, a Vigor não detém ativos próprios de produção de leite e compra de produtores independentes. Os analistas do Credit estimam ainda que a Lala terá menos oportunidades para explorar sinergias no nível de produção, considerando que não tem suprimento próprio de leite. Outro desafio, afirmam, será começar a expansão geográfica no Brasil, pois sozinha a Vigor tem escala nacional limitada (apenas 3,3% de market share). A transação entre CCPR e Lactalis é uma reviravolta numa operação deflagrada após a venda da Vigor para a Lala, em agosto. O negócio também incluía a Itambé, joint venture entre Vigor e CCPR. A cooperativa tinha direito de preferência para recomprar a participação da sócia em caso de venda da Vigor e o fez. No novo cenário, as ações da Lala na bolsa mexicana caíram 1,55% ontem, para 27,93 pesos.