Um shopping inteiro fechado

Publicado em 07/12/2017 por Jornal do Comércio - RS

Nunca houve tantas lojas fechadas em shoppings de Porto Alegre. Se juntássemos todas elas num único lugar, teríamos, no mínimo, mais um novo shopping inteiro. E muitas lojas ainda vão fechar em shoppings porque estão amarradas a contratos por tempo determinado, encargos altíssimos por desistência, e com descontos temporários de aluguéis que serão retirados assim que a economia der sinais de recuperação, inviabilizando os negócios. Uma pequena recuperação nas vendas não vai compensar a significativa queda dos últimos quatro anos. O Brasil só voltará a ter o PIB real de 2014 lá por 2021.
Queremos acreditar que a recessão econômica está chegando ao fim, porque estamos cansados de anos ruins. Mas as boas notícias da economia serão a ruína de muitos lojistas de shopping. Para quem não conhece como funciona a relação entre lojistas e shopping centers fica difícil entender uma afirmação tão catastrófica. É que os investidores de shoppings querem voltar a ganhar o que ganhavam, tudo devidamente reajustado e corrigido, mesmo não havendo perspectiva de que a vida nos shoppings volte a ser como antes. É uma conta que não fecha. Os custos cresceram, o consumidor continua pessimista e os canais de venda estão mudando, com o e-commerce, fazendo com que o consumidor veja os shoppings de outra maneira. Os lojistas de rua já renegociaram contratos de aluguel a valores adequados ou mudaram de local em busca de alugueis razoáveis.
Já os lojistas de shopping não conseguem renegociar seus contratos e são mantidos em constante estresse, porque podem ficar inviáveis rapidamente, basta perderem os descontos que eventualmente estejam usufruindo. Os shoppings preferem perder o lojista a reduzir os valores locativos de quem está estabelecido. Porém, não estão conseguindo atrair novos lojistas com contratos a valores e moldes antigos. Tomara que estas previsões estejam erradas, as vendas ampliem, as lojas se recuperem, novas lojas abram, a vida volte a ser como antes e todos fiquemos felizes. Afinal, não custa nada acreditar em Papai Noel.
Vice-presidente de Micro e Pequenas Empresas da CDL/POA