Sobretaxa dos EUA não é perigo para o Brasil, diz presidente da CSN

Publicado em 14/03/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  A imposição de tarifas excedentes à importação de aço nos Estados Unidos não é um perigo para o Brasil, e sim, uma oportunidade, disse nesta quarta-feira Benjamin Steinbruch, presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em sua sede em São Paulo.

Para ele, os semielaborados que são enviados aos EUA, cerca de 80% das exportações brasileiras de aço ao mercado americano, provavelmente conseguirão ser isentos da sobretaxa, porque eles são necessários às siderúrgicas locais.

O Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta, na sigla em inglês) inteiro não tem capacidade de produzir aço suficiente para seu consumo, lembrou Luis Martinez, diretor comercial da CSN. Foram 115 milhões de toneladas fabricadas em 2017, contra uma demanda de 139 milhões de toneladas.

O Brasil pode estar mais bem posicionado que o resto do mercado mundial por conta disso, aposta a CSN. Ao mesmo tempo, Steinbruch acredita que o tema do antidumping, ou o impedimento de que importados invadam o mercado nacional, tem de ser tratado de maneira mais séria.

"Levantaram a bola e o governo brasileiro precisa marcar um gol. É uma questão suprapartidária e suprasetorial. É sobre crescimento, emprego e renda", declarou o presidente da CSN. "Mas não acredito que o governo ficará sem fazer nada, apesar de até agora não ter se pronunciado."

Japão, Coreia e Alemanha também seriam beneficiados com a medida.