Suzano reverte lucro e tem prejuízo de R$ 1,85 bilhão no trimestre

Publicado em 09/08/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  (Atualizada às 11h04) A Suzano Papel e Celulose registrou prejuízo líquido de R$ 1,85 bilhão no segundo trimestre, revertendo o ganho de R$ 199 milhões apurado um ano antes. O desempenho reflete a piora do resultado financeiro, influenciado pelo impacto negativo da desvalorização do real frente ao dólar na parcela da dívida em moeda estrangeira e perdas de R$ 2,55 bilhões referentes a derivativos, usados com a finalidade de proteção cambial (hedge).

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado ficou em R$ 1,57 bilhão no trimestre, equivalente a avanço de 36%, com margem Ebitda de 49,1% — comparável a 45,7% de um ano antes. A geração de caixa operacional (que considera o Ebitda menos investimentos em manutenção), por sua vez, saltou 40,5%, para R$ 1,28 bilhão. Esses dois valores correspondem a recorde para a companhia.

Na linha financeira, a Suzano registrou despesa financeira líquida de R$ 3,97 bilhões no trimestre, quase seis vezes maior que a apurada um ano antes. Em relatório que acompanha o balanço financeiro, a Suzano informa que as perdas com variação cambial e monetária ficaram em R$ 1,14 bilhão e o resultado de operações com derivativos ficou negativo em R$ 2,55 bilhões.

A companhia encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 9,94 bilhões, alta de 7,4% ante os R$ 9,25 bilhões registrados em março. Com isso, a alavancagem financeira, medida pela relação entre endividamento líquido e Ebitda anualizado ficou estável em 1,7 vez.

Operacionalmente, os números mostram que foi possível mitigar os efeitos da greve dos caminhoneiros, em maio, nas principais linhas do balanço, com o câmbio favorável às exportações e preços de celulose e papel mais altos. “Foi um trimestre positivo, apesar dos desafios, e a forte estratégia comercial em junho compensou o efeito de maio”, afirmou o diretor Leonardo Grimaldi, em teleconferência com analistas.

De abril a junho, a receita líquida da companhia subiu 26,6%, para R$ 3,2 bilhões, beneficiada pelo maior volume de vendas de papel e preços mais elevados. O executivo comentou que a Suzano conseguiu aplicar aumentos de preço nos últimos meses e está anunciado nova rodada de reajustes, de 9% a 14%, que serão aplicados no segundo semestre. De abril a junho, o preço líquido médio do papel vendido pela companhia no mercado interno foi de R$ 3.755 por tonelada, alta de 12,4% na comparação com o primeiro trimestre e de 18,7% na comparação anual.

O diretor da unidade de negócios de celulose da Suzano, Carlos Aníbal,  informou que os estoques da matéria-prima seguem baixos na companhia, em menos de 30 dias, o que reflete os sólidos fundamentos do mercado. O executivo, porém, não tratou da possibilidade de novo reajuste de preços no curtíssimo prazo. “Julho teve volumes regulares e há um entendimento comum entre produtores e compradores de que o mercado está equilibrado”, afirmou.

Investimentos

A Suzano investiu R$ 573,5 milhões no segundo trimestre, 47,8% acima do valor desembolsado um ano antes, especialmente por causa dos aportes em competitividade estrutural e negócios adjacentes. O volume de desembolsos para essa finalidade, que também se refletiu na diversificação dos negócios da companhia, com a entrada em papel tissue, por exemplo, alcançou R$ 232 milhões, o dobro do verificado um ano antes.

Para 2018, o investimento total estimado pela Suzano é de R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 1,2 bilhão em manutenção e R$ 1,6 bilhão para projetos inseridos em negócios adjacentes e competitividade estrutural.