Teles flexibilizam pacotes para cliente que não quer voz

Publicado em 12/02/2018 por Folha de S. Paulo Online

A queda nos acessos a linhas fixas e móveis e o aumento da demanda por banda larga têm exigido flexibilidade e revisão de estratégia das operadoras de telecomunicações, na tentativa de manter um cliente que parece não querer mais usar a voz.

As empresas costumam "empurrar" sobretudo a linha fixa em "combos" que incluem outros serviços. Mas o consumidor tem se mostrado mais relutante em aceitar condições rígidas.

"Antes os combos tinham, em geral, padrão mínimo de banda larga e telefonia fixa. Agora, as empresas têm dado opções mais flexíveis de combinação", diz José Ronaldo Rocha, gerente sênior de consultoria da Ernst & Young.

Embora disponíveis, os pacotes sem telefone fixo não são facilmente encontrados nos sites das operadoras. Em geral, é preciso ligar no canal de vendas da empresa para se informar. Além disso, o serviço contratado sozinho costuma ter um preço superior ao do que teria se estivesse dentro de um pacote.

"Pode comprar só banda larga ou só TV, mas, quando adquire produtos individualizados, o cliente acaba perdendo em valores", diz Márcio Estefan, vice-presidente da Algar Telecom.

"O pacote é uma forma de dar desconto para quem compra mais serviço. Fazíamos com telefone fixo, mas, como essa demanda vem diminuindo, criamos opções sem", diz Marcio Fabbris, vice-presidente de B2C (área do consumidor final) da Vivo.

A dona da marca, a Telefônica, domina os mercados de telefonia fixa, com 14,1 milhões de linhas (34,7% do mercado), e móvel --74,9 milhões de linhas, ou 31,75% do mercado)--, de acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Em 2017, o Brasil tinha 40,8 milhões de linhas fixas em serviço, 1,2 milhão a menos que no ano anterior. Linhas móveis em operação somavam 236,5 milhões, perda de 7,6 milhões sobre 2016.

Rocha destaca um cenário desafiador para as teles, em que o consumidor mais conectado deposita cada vez mais importância na mobilidade e é pouco tolerante a falhas, ao mesmo tempo em que a concorrência "é muito mais obscura e vai além das operadoras", diz, em referência a aplicativos de mensagem e serviços de streaming.

Estes últimos têm impacto direto também em TV por assinatura, cujo número de assinantes caiu 5% em 2017.

Alternativas

A receita com telefonia ainda é relevante para as concessionárias. No caso da Telefônica, representava mais de 40% da receita operacional líquida da empresa de janeiro a setembro de 2017.

Mas o mercado deve estar bem diferente em dez anos, diz Rocha. Para contornarem a perda de receita com telefonia, as teles investem em parcerias e fidelização.

Por R$ 14,90 ao mês, por exemplo, é possível assinar o Vivo Música, iniciativa da Vivo com a Napster (serviço de streaming) que oferece cerca de 40 milhões canções. "Temos outras parcerias com Netflix, YouTube, que criam um ecossistema que torna nossos serviços cada vez mais valiosos", diz Fabbris.

Pelo mesmo preço, a Algar --que liderou o crescimento de telefonia fixa entre as autorizadas em 2017 (alta de 34,6%)-- oferece o Vid+, de streaming de filmes e séries.

No sentido contrário, a TIM, cujo carro chefe é a banda larga, vai oferecer para alguns planos a possibilidade de o modem de internet funcionar também como telefone, com ligações ilimitadas para fixos de qualquer operadora sem custo adicional.

"Nossa ideia é entregar o serviço para que o cliente decida se quer ou não usar", diz Fabiano Ferreira, diretor de soluções residenciais da TIM.

O segmento de banda larga ainda é mais modesto no Brasil, com 28,7 milhões de acessos em 2017, mas o número representa alta de mais de 7% no número de contratos ante o ano anterior.

Para Rocha, porém, é necessário rever o modelo de concessão das teles, criado com foco na telefonia. "Precisa de regulação e política pública que estimulem o investimento em banda larga."

SÓ NA INTERNET PARA VER E OUVIR

Netflix

Mais conhecido serviço de streaming de filmes e séries tem mensalidade de R$ 19,90 a R$ 37,90

Globosat Play

Oferece acesso a canais ao vivo da Globosat,como  SporTV e GloboNews gratuito para algumas operadoras, como Net, Claro, Oi, Vivo e Algar, custa R$ 15,90

HBO GO

Serviço sob demanda dos canais HBO e Max custa R$ 34,90 por mês

Telecine Play

Serviço sob demanda para assinantes do Telecine

Amazon Prime

Serviço de streaming da gigante do varejo preço inicial de R$ 7,90

Spotify

Com de mais de 30 milhões de músicas, tem versão gratuita a versão paga (R$ 16,90) dispensa anúncios e possibilita o uso off-line

Deezer

Serviço de streaming de música criado na França, também oferece plano gratuito R$ 16,90 ou R$ 26,90

NetMovies

Serviço brasileiro de streaming de filmes e séries pela web plano mensal de R$ 18,90