Transnacionalidade das criptomoedas desafia regulação

Publicado em 16/05/2018 por Valor Online

SÃO PAULO  -  A transnacionalidade das criptomoedas é um dos maiores desafios para os órgãos reguladores, segundo Bruno Batávia, coordenador do departamento do meio circulante do Banco Central do Brasil. Na opinião dele, a função do regulador é “contribuir para a segurança do investidor para que, de mãos dadas, a tecnologia consiga amadurecer”. Batávia, que destacou que suas opiniões não refletem necessariamente as do BC, participou hoje de debate em evento do setor de cartões.

“Por mais que proíba em um país, [a transação], quem quiser compra em uma exchange fora e vai transacionar, não é limitado a uma geografia”, afirma. Ele destaca que, por não haver uma “base legal específica” sobre o assunto no país, o Banco Central por enquanto só tem acompanhado as movimentações e usado seu papel de autoridade para alertar os usuários quanto aos riscos.

Investimento interessantíssimo 

 Na opinião de Batávia, no entanto, há um potencial de investimento “interessantíssimo”. Um dos pontos citados por ele é a possibilidade de investidores pessoa física comprarem tokens (ativos virtuais semelhantes às criptomoedas) emitidos por empresas, por exemplo.

“É uma oportunidade do investidor varejo ter acesso a esses tokens criptográficos do ponto de vista de investimento. Muitas vezes, o regulador fecha o mercado, limita alguns investimentos a investidores institucionais. As criptomoedas abrem isso, ainda que não seja regulado em muitos países”, diz.

"Tokenização" 

Batávia ainda afirmou que há uma discussão sobre como a ideia de “tokenização” de moedas pode ser usada para melhorar alguns produtos do sistema financeiro, como as transferências bancárias.

“Há um custo para abastecer um país com dinheiro e muitos cidadãos não têm conta bancária. E até para os que têm, a transações digitais têm algumas questões. Majoritariamente temos os serviços de TED e DOC, que têm tarifas altas. Se o cliente quer mandar R$ 10 ele pode acabar pagando R$ 14 para fazer isso. Fora os horários de limitação”, destaca.