Trump ameaça barrar dos EUA quem tiver negócios no Irã; Daimler deixa país

Publicado em 08/08/2018 por Valor Online

Trump ameaça barrar dos EUA quem tiver negócios no Irã; Daimler deixa país

O presidente Donald Trump afirmou ontem que as novas sanções americanas contra o Irã são "as mais duras já impostas" e alertou que as empresas que mantiverem negócios com a República Islâmica serão barradas nos EUA.

"Em novembro elas [as sanções] vão aumentar ainda mais. Qualquer um que negocie com o Irã NÃO fará negócios com os EUA. Estou pedindo PAZ MUNDIAL, nada menos!", tuitou Trump.

Poucas horas depois de Washington restabelecer sua primeira rodada de sanções, a montadora alemã Daimler suspendeu um plano para fabricar caminhões da Mercedes Benz no Irã. Isso mesmo depois da União Europeia (UE) se comprometer a proteger as empresas das sanções dos EUA em um esforço para tentar salvar o acordo nuclear com o Irã.

Na Nova Zelândia, a representante europeia de Relações Exteriores, Federica Mogherini, voltou a fazer um apelo para que as empresas europeias continuem a fazer negócios com o Irã. "Se há uma parte dos acordos internacionais sobre não-proliferação nuclear que está sendo cumprido, ela precisa ser mantida. Estamos incentivando as pequenas e médias empresas, em particular, a aumentar os negócios com e no Irã como parte de algo que, para nós, é uma prioridade de segurança."

Empresas europeias - como a petrolífera francesa Total e a montadora alemã Volkswagen - anunciaram planos para restabelecer os laços com o Irã após o acordo de 2015, que proporcionou ao país alívio das sanções econômicas em troca de restrições em seu programa nuclear. O comércio entre o Irã e a Europa cresceu para mais de US$ 10 bilhões.

Agora, o desafio para as empresas europeias é que elas têm que pesar a perda potencial do mercado consumidor americano - o maior do mundo - contra os laços econômicos com Teerã.

Mesmo em maio, quando o restabelecimento das sanções americanas ainda era só uma ameaça de Trump, a Total disse que não poderia correr o risco de manter investimentos no Irã por causa de suas operações nos EUA. Outras empresas, incluindo as montadoras francesas Renault e PSA Group, também disseram que voltariam atrás nos planos de investimento no Irã.

"Não ficaria surpreso se mais empresas seguirem [o exemplo] da Daimler e deixarem o Irã", disse Frank Biller, analista do Landesbank Baden-Wuerttemberg. "Com a situação política atual, tenho certeza que muitas empresas estão, ao menos, pensando em suspender suas atividades."