Venezuela importa petróleo para fornecer a Cuba

Publicado em 16/05/2018 por Valor Online

Venezuela importa petróleo para fornecer a Cuba

A petrolífera estatal venezuelana PDVSA comprou quase US$ 440 milhões em petróleo no mercado internacional e o enviou diretamente a Cuba sob condições de crédito amigáveis e, frequentemente, com prejuízo, segundo documentos internos da empresa aos quais a Reuters teve acesso.

Esse é o primeiro caso documentado em que a Venezuela compra petróleo no mercado para abastecer aliados regionais em vez de usar suas próprias reservas.

A Venezuela fez o envios com desconto, apesar da sua necessidade de moeda forte para a economia em colapso e a falta de alimentos e remédios importados.

As compras de petróleo no mercado aberto para subsidiar um dos poucos aliados remanescentes da Venezuela, que até agora não haviam sido divulgadas, colocam em evidência o isolamento cada vez maior do país e a desintegração de seu setor de petróleo sob o governo do presidente Nicolás Maduro.

A produção de petróleo venezuelana do primeiro trimestre foi a menor em 33 anos. Suas refinarias operam com cerca de 30% da capacidade e funcionários da PDVSA pedem demissão aos milhares.

A PDVSA pagou pelo petróleo que enviou a Cuba até US$ 12 por barril acima do preço do seu próprio produto, segundo valores contidos nos documentos internos vistos pela Reuters. Além disso, Cuba pode nunca vir a pagar em dinheiro pela carga, já que a Venezuela há muito aceita bens e serviços cubanos em troca do petróleo, segundo um pacto assinado em 2000 pelos presidentes Hugo Chávez e Fidel Castro, já mortos.

Representantes da PDVSA e dos governos da Venezuela e de Cuba não retornaram os pedidos para comentar o assunto.

Anteriormente, o governo da Venezuela havia dito que só importava petróleo para sua refinaria em Curaçao ou para misturá-lo a seu próprio petróleo pesado e, assim, melhorar a sua qualidade para exportação. A Reuters, porém, teve acesso a centenas de documentos da PDVSA detalhando exportações e importações, datados de janeiro de 2017 a maio de 2018, e que mostram que a estatal compra petróleo a preço de mercado e o envia a aliados, em remessas que não passam pela Venezuela.

As entregas subsidiadas têm como objetivo manter o apoio político de Cuba, que faz parte do grupo cada vez menor de aliados da Venezuela, segundo diplomatas, políticos e executivos da PDVSA.

"Maduro está dando tudo o que pode porque o apoio desses países, especialmente o de Cuba, é o que lhe restou", disse uma ex-autoridade que não quis ser identificada.